quinta-feira, 14 de julho de 2016
Poder do NÃO
Lembra quantas vezes você ouviu um? Eu, quando ouvia, pensava na situação, em como eu teria que dar outro jeito, mas também pensava em como era corajoso aquele que me dizia. Dizer isso não é para qualquer um. Sair da zona de conforto e negar a investida de roubar-nos um tempo em seu favor. Passou-se o tempo e aprendi que o seu contrário é invasivo, e não importa como eu me sinta, me disporia a fazê-lo ainda que com má vontade. Depois desse tempo, aprendi que esse tal de tempo em nossa vida é precioso, pequeno, e felicidade custa tempo. Disse ele, mas com a paz e consciência limpa de que o outro poderia buscar outras alternativas, como eu fiz. Entre o sim, o não, o talvez, aquele "vou pensar" cheio de não... Eu escolhi dizer todos eles, num misturado de "minha felicidade depende do meu tempo" e "faça por si e verás os negativos e positivos de ser seus próprios sims e nãos", escolhi o não para construir o meu sim, o sim para mim.
Caio Pedra.
terça-feira, 26 de abril de 2016
O FEMINISMO COMO AGENTE TRANSFORMADOR
Bem, há muito que eu queria falar sobre o feminismo, mas por não protagonizar esse movimento por ser homem, apelei para minha amiga Daniele Rocha, que faz parte do movimento feminista. Muito obrigado Daniele, ficou incrível! O resultado dessa provocação foi o texto que se segue. (Título e subtítulo da autora).
A VISIBILIDADE DO TRABALHO DOMÉSTICO A PARTIR DO MOVIMENTO FEMINISTA (Por Daniele Rocha)
Confesso, vergonhosamente, que alguns anos atrás achava minha mãe uma mulher fracassada e preguiçosa, pois ela não trabalhava; só fazia limpar a casa, cozinha e lavar roupa. Quando me perguntavam a profissão dela, dizia que ela era secretária, professora, ou então, enfermeira. Minha mãe podia ser tudo, menos dona de casa. A visão que tinha do meu pai já era diferente, eu o admirava, achava ele genial e inteligente, pois trabalhava e sabia discutir sobre politica.
Na minha adolescência, tudo mudou. Percebi como eu e toda minha família desvalorizávamos o que minha mãe fazia dentro de casa. E isso se deve muito à ação politica dos movimentos feministas que tive contato na época.
O feminismo foi um importante agente transformador na relação que tinha com minha mãe - e acredito que ainda seja - como também, para tantas outras relações sociais, pois possibilita vermos muitas mulheres que realizam trabalhos domésticos de forma mais critica, aprofundando o conhecimento sobre a problemática da desvalorização do trabalho doméstico, sendo assim, dando mais visibilidade a estas mulheres na sociedade. A partir do feminismo podemos ver a mulher como um ser forte, como uma pessoa sobre quem todos nós apoiamos e que permite que as atividades fora de casa sejam realizadas de forma plena.
O trabalho doméstico é desvalorizado e invisível na sociedade devido a forma que o sistema capitalista se organiza, e que é uma organização extremamente perversa, pois exclui o trabalho executado no espaço privado e que não gera valores monetários, já que compreende apenas como trabalho aquele que é exercido no espaço publico com carga horária determinada: o oficio assalariado. Segundo Marx, a concepção de trabalho adotado por este sistema se fundamenta nos interesses econômicos burgueses e patriarcais, que considera apenas como trabalhador aquele que produz mais-valia. Sendo assim, as mulheres não se reconhecem como trabalhadoras realizando as atividades domésticas, considerando tais tarefas apenas como "obrigações femininas".
Além disso, é válido ressaltar que esta forma que o sistema capitalista se organiza reforça a divisão desigual de trabalho entre homens e mulheres, a qual advêm da construção histórica e cultural.
Além da influência da relações de gênero sobre esta concepção do trabalho desigual e das classes sociais, é importante considerar a dimensão étnico-racial, que se origina do período escravocrata. Mulheres negras e brancas trabalhavam de formas distintas: as mulheres negras escravizadas executavam tarefas da casa grande e as mulheres brancas bordavam e gerenciavam as atividades da casa. Este quadro social perpetua, infelizmente, até hoje - o trabalho doméstico é o cotidiano de muitas mulheres negras.
Contudo, é evidente como a estrutura do modo de produção capitalista se torna excludente diante da realidade social e econômica da população que exerce o trabalho não remunerado, por causa disso, é necessário reconhecer o espaço privado informal como trabalho para que muitas mulheres que assumem as atividades domésticas saiam deste campo social desvalorizado e invisível. Assim como, é essencial que sejam ampliados as ações e os debates feministas para além das universidades, pois existem muitas mulheres que se sacrificam para que outras se libertem.
Daniele Rocha
Texto de referência:
BARBOSA, L. SOARES; M. Trabalho doméstico, trabalho desvalorizado, trabalho de mulheres. Disponível em: < http://www.ufpb.br/evento/ lti/ocs/index.php/17redor/ 17redor/paper/view/284 >. Acesso em: 20 de abr. de 2016.
sexta-feira, 11 de março de 2016
RELACIONAMENTOS VIRTUAIS - DESEJO, AMOR E IMEDIATISMO
"Amor líquido". Como se estruturam (se é que se estruturam) os relacionamentos ou tentativas de relacionamentos virtuais no "mundo líquido moderno" de Bauman, numa visão com toques da psicologia e de experiências subjetivas
Esquerda, direita, esquerda, direita. Coração, X, coração, X. Escolher a pessoa adequada para "bater um papo e quem sabe algo mais" na contemporaneidade é bem fácil e rápido, além de ser de graça. Parece que o consumismo que movimenta o capitalismo finalmente chegou à esfera mais íntima do ser humano: os relacionamentos afetivos. Hoje, diferentemente de anos atrás, as pessoas buscam na internet não só mais pelo que comprar, vestir ou pesquisar. Elas procuram por outras pessoas, que se encaixam em seus perfis de relacionamento.
Ao falar sobre o mundo virtual, recordemo-nos de toda e qualquer forma de se relacionar afetivamente com outras pessoas nas ditas redes sociais. Aplicativos, programas e sites de relacionamento de todos os tipos, incluindo os mais diretivos para esse intuito, como os famosos aplicativos de celular e os sites que traçam seu perfil e combinam com outros perfis, e os menos diretivos como o próprio facebook, que vai além de "se conectar a outras pessoas" para um lugar onde podemos buscar pessoas que nos interessem...
Bauman, um sociólogo polonês, escreveu um livro muito interessante sobre a fragilidade dos laços humanos, onde fala desde política ao ideal sexual dos tempos atuais.Vale a leitura!
Num mundo onde o imediatismo emerge ao primordial, "esperar a pessoa certa para se casar e ter filhos" caiu de moda. Para que esperar se posso baixar um aplicativo no meu celular e num catálogo de fotos e descrições, escolher a pessoa "certa" para passar uma noite, um dia, uma relação sexual única ou até, nos casos mais raros, por assim dizer, um relacionamento sério?
Segundo Bauman, "(...)Uma vez que damos prioridade a relacionamentos em "redes", as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade — e frequentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual —, não sabemos mais manter laços a longo prazo." Isso se deve tanto a facetas políticas, econômicas, culturais, sociais e por aí vai....
O que ele disse é que, os aplicativos de relacionamento, têm servido como uma alternativa para pessoas que: não tenham paciência para esperar se esbarrar em alguém, derrubar seus livros, e bum! pessoa certa!; pessoas que não "buscam" nada sério, apenas encontros únicos cuja finalidade é sexo; com a desculpa de conhecer novas pessoas, buscam por encontrar a pessoa certa - ou errada que me dê prazer imediato -; etc. As alternativas são muitas, embora Bauman concorde de que isso não seja algo definitivamente ruim ou negativo, mas reflete a imagem de um mundo líquido moderno, como ele chama, onde o imediatismo - ou para Freud, descarga direta da pulsão/hiper catexia - é a palavra de ordem, andando de mãos dadas com o momento político e cultural das mais variadas regiões do mundo.
Sobre a busca por pessoas e a finalidade dos encontros, cita Bauman: "Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua." Além de ser uma frase para legenda de foto no Instagram, a citação de Bauman nos faz refletir sobre a diferença entre o desejo e o amor. Como eles se relacionam na estrutura da busca por relacionamentos na internet?
Bom, há aqueles que procuram algo mais rápido, embora muitos falem em egoísmo, esse tipo de encontro objetivo, para Freu tanto quanto para Bauman, seria uma espécie de realização de desejo. Volte na citação e veja a palavra "consumir". O poder do consumo é algo muito forte na nossa sociedade, algo que nos movimenta, mesmo que em rodeios. É como o desejo. Já o amor, ou a busca por algo mais duradouro, que alguns chamariam por busca pela felicidade, é algo que se constrói. Foque em "o amor cresce na aquisição deste".
O que as pessoas buscam? Voltemos às formas virtuais de se conectar à outras pessoas. Há aqueles(as) que procuram pessoas para descarregar seu desejo por sexo, um encontro único que pode transcender, embora em casos menos frequentes, e há aqueles que buscam o a utopia do amor pleno. De toda forma, a ferramenta da internet possibilitou a ampliação na busca por laços, seja de desejo ou amor, e por muito tempo há de se re-organizar no mundo líquido moderno.
Se estamos caminhando em círculos, aumentando o número de divórcios, de solteiros e de pessoas que se dizem infelizes sozinhas, em contrapartida, estamos também caminhando para uma reconfiguração das relações amorosas ou afetivas, que hoje começa na internet. Se isso é bom ou ruim, deixo para a reflexão.
E para finalizar, deixo o autor declamar:
"Ambos os parceiros sabiam que a mudança estava ocorrendo e lhe deram boas-vindas. Mergulharam de cabeça em águas inexploradas. A oportunidade de se abrirem à aventura do desconhecido e do imprevisível era a maior das seduções do amor. O primeiro alívio da tensão no jogo encantado do amor geralmente vem quando os amantes se chamam um ao outro pelo primeiro nome. Esse ato se coloca como a solitária garantia de que os passados dos dois indivíduos serão incorporados aos seus presentes." Bauman, in amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos.
Por: Caio Pedra
Ao falar sobre o mundo virtual, recordemo-nos de toda e qualquer forma de se relacionar afetivamente com outras pessoas nas ditas redes sociais. Aplicativos, programas e sites de relacionamento de todos os tipos, incluindo os mais diretivos para esse intuito, como os famosos aplicativos de celular e os sites que traçam seu perfil e combinam com outros perfis, e os menos diretivos como o próprio facebook, que vai além de "se conectar a outras pessoas" para um lugar onde podemos buscar pessoas que nos interessem...
Bauman, um sociólogo polonês, escreveu um livro muito interessante sobre a fragilidade dos laços humanos, onde fala desde política ao ideal sexual dos tempos atuais.
Num mundo onde o imediatismo emerge ao primordial, "esperar a pessoa certa para se casar e ter filhos" caiu de moda. Para que esperar se posso baixar um aplicativo no meu celular e num catálogo de fotos e descrições, escolher a pessoa "certa" para passar uma noite, um dia, uma relação sexual única ou até, nos casos mais raros, por assim dizer, um relacionamento sério?
Segundo Bauman, "(...)Uma vez que damos prioridade a relacionamentos em "redes", as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade — e frequentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual —, não sabemos mais manter laços a longo prazo." Isso se deve tanto a facetas políticas, econômicas, culturais, sociais e por aí vai....
O que ele disse é que, os aplicativos de relacionamento, têm servido como uma alternativa para pessoas que: não tenham paciência para esperar se esbarrar em alguém, derrubar seus livros, e bum! pessoa certa!; pessoas que não "buscam" nada sério, apenas encontros únicos cuja finalidade é sexo; com a desculpa de conhecer novas pessoas, buscam por encontrar a pessoa certa - ou errada que me dê prazer imediato -; etc. As alternativas são muitas, embora Bauman concorde de que isso não seja algo definitivamente ruim ou negativo, mas reflete a imagem de um mundo líquido moderno, como ele chama, onde o imediatismo - ou para Freud, descarga direta da pulsão/hiper catexia - é a palavra de ordem, andando de mãos dadas com o momento político e cultural das mais variadas regiões do mundo.
Sobre a busca por pessoas e a finalidade dos encontros, cita Bauman: "Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua." Além de ser uma frase para legenda de foto no Instagram, a citação de Bauman nos faz refletir sobre a diferença entre o desejo e o amor. Como eles se relacionam na estrutura da busca por relacionamentos na internet?
Bom, há aqueles que procuram algo mais rápido, embora muitos falem em egoísmo, esse tipo de encontro objetivo, para Freu tanto quanto para Bauman, seria uma espécie de realização de desejo. Volte na citação e veja a palavra "consumir". O poder do consumo é algo muito forte na nossa sociedade, algo que nos movimenta, mesmo que em rodeios. É como o desejo. Já o amor, ou a busca por algo mais duradouro, que alguns chamariam por busca pela felicidade, é algo que se constrói. Foque em "o amor cresce na aquisição deste".
O que as pessoas buscam? Voltemos às formas virtuais de se conectar à outras pessoas. Há aqueles(as) que procuram pessoas para descarregar seu desejo por sexo, um encontro único que pode transcender, embora em casos menos frequentes, e há aqueles que buscam o a utopia do amor pleno. De toda forma, a ferramenta da internet possibilitou a ampliação na busca por laços, seja de desejo ou amor, e por muito tempo há de se re-organizar no mundo líquido moderno.
Se estamos caminhando em círculos, aumentando o número de divórcios, de solteiros e de pessoas que se dizem infelizes sozinhas, em contrapartida, estamos também caminhando para uma reconfiguração das relações amorosas ou afetivas, que hoje começa na internet. Se isso é bom ou ruim, deixo para a reflexão.
E para finalizar, deixo o autor declamar:
"Ambos os parceiros sabiam que a mudança estava ocorrendo e lhe deram boas-vindas. Mergulharam de cabeça em águas inexploradas. A oportunidade de se abrirem à aventura do desconhecido e do imprevisível era a maior das seduções do amor. O primeiro alívio da tensão no jogo encantado do amor geralmente vem quando os amantes se chamam um ao outro pelo primeiro nome. Esse ato se coloca como a solitária garantia de que os passados dos dois indivíduos serão incorporados aos seus presentes." Bauman, in amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos.
Por: Caio Pedra
Referências:
ZYGMUNT, Bauman. Biografia. Infoescola. Por Ana Lucia Santana. Acessado em 10/03/2016. Disponível em <http://www.infoescola.com/biografias/zygmunt-bauman/>
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
SIGMUND, Freud. Catexias. Por Marco Zschommler. Acessado em 10/03/2016. Disponível em <https://freud2009.wordpress.com/catexia/>
Agradecimentos à Andreia Pereira pelas contribuições.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
COMPARATIVO ENTRE AS TEORIAS DE SKINNER E PIAGET QUANTO À APRENDIZAGEM
Analisando
as duas teorias, podemos perceber que para Piaget o aprendizado é dado por
interação entre as estruturas internas e conteúdos externos, já para Skinner, o
aprendizado ocorre a partir de interações entre o organismo e o ambiente. O que
já nos remete à primeira e crucial diferença entre o behaviorismo e as demais
teorias estudadas da aprendizagem, tendo base no materialismo, explicando o
comportamento – e a aprendizagem – sem utilizar-se de termos mentalistas (que
remetem a estruturas psíquicas ou internas na explicação do comportamento).
Numa aprendizagem escolar com base na teoria de Piaget, os conteúdos, tendo ele estudado principalmente o raciocínio lógico-matemático que é imprescindível nos primeiros anos das séries iniciais, seriam apresentados para as crianças de acordo com seu estágio do desenvolvimento cognitivo postulado por ele (Piaget), sendo que essa forma de seleção de conteúdo é vigente até hoje em alguns modelos de ensino. Para Skinner, o conteúdo não dependeria primordialmente de uma maturação do sujeito, mas de outros conteúdos anteriormente ensinados. Os conteúdos são apresentados por etapas, aumentando-se o grau de dificuldade de acordo com o aprendizado individual do sujeito, algo que nos mostra uma pequena semelhança entre as abordagens no que diz respeito ao conteúdo ensinado.
Numa aprendizagem escolar com base na teoria de Piaget, os conteúdos, tendo ele estudado principalmente o raciocínio lógico-matemático que é imprescindível nos primeiros anos das séries iniciais, seriam apresentados para as crianças de acordo com seu estágio do desenvolvimento cognitivo postulado por ele (Piaget), sendo que essa forma de seleção de conteúdo é vigente até hoje em alguns modelos de ensino. Para Skinner, o conteúdo não dependeria primordialmente de uma maturação do sujeito, mas de outros conteúdos anteriormente ensinados. Os conteúdos são apresentados por etapas, aumentando-se o grau de dificuldade de acordo com o aprendizado individual do sujeito, algo que nos mostra uma pequena semelhança entre as abordagens no que diz respeito ao conteúdo ensinado.
Outra semelhança que se percebe é uma ênfase – ainda que
menor em Piaget – ao meio social na aprendizagem, que para Skinner tem peso
maior, pois as relações entre os sujeitos (contingências) são cruciais no
processo de aquisição de comportamentos, ou aprendizagem.
Para Piaget, é de grande importância uma boa relação
professor-aluno. Os afetos entre as duas partes contribuirá de forma efetiva na
aprendizagem, para que os alunos se sintam “valorizados”. Já para Skinner, os
afetos não tem importância na aprendizagem, podem até ocorrer, mas não afetam
diretamente na aprendizagem, primeiramente porque os indivíduos são mais
autônomos quanto à sua aprendizagem, dependendo esse de sua história passada de
reforçamento, sendo que para Skinner toda aprendizagem acontece por
consequências de comportamentos.
Piaget considerava que o ambiente escolar e prática
pedagógica deveriam se adequar aos interesses dos alunos, com base em seu
estágio do desenvolvimento cognitivo. Ficando clara a importância da cognição
para a aprendizagem, algo que Skinner desconsiderava enquanto estrutura. O
professor teria o papel de apresentar o conteúdo que chega programado por
técnicos para que se obtenham resultados favoráveis, em Skinner.
Referências
TAFNER, Malcon. A
construção do conhecimento segundo Piaget. Acessado em 02/11/2015.
Disponível em <http://www.cerebromente.org.br/n08/mente/construtivismo
/construtivismo.htm/>
SILVA, André Luis Silva da. Teoria da Aprendizagem de Piaget. Acessado em 02/11/2015.
Disponível em <http://www.infoescola.com/pedagogia/teoria-de-aprendizagem-de-piaget/>
Anotações: Palestra sobre os novos contos de fadas sob a ótica da Psicologia Analítica
Na oportunidade de participar do Interculte (evento que realizou várias palestras para todos os cursos da Universidade Jorge Amado - Salvador-BA), destacou-se
uma palestra sobre os novos contos de fada sob a ótica de Jung, ou Psicologia
Analítica. Inicialmente, por haver pessoas de outros cursos que não Psicologia,
foi feito pela palestrante, Psicóloga Junguiana professora da Unifacs –
Salvador-BA, um breve resumo sobre os conceitos postulados pelo autor, como
arquétipo e inconsciente coletivo. Depois, fizemos um debate sobre os contos de
fadas originais e como eles davam, principalmente às crianças, base para o
entendimento de sua vida afetiva, principalmente sexual, vivida e entendida de
forma amena e tranquila. Entendemos também que os contos originais eram
contados para adultos principalmente, em meados do séc. XVIII em diante, e que
depois, com influência da Disney e da mídia, voltou-se para o público infantil.
Discutimos também, que os contos originais – e esses reformulados pela Disney
também, embora com mudanças cruciais – trabalham o lúdico da criança de uma
forma indireta, não mostrando claramente o bom o e mau, por exemplo, mas dando
indícios para que o espectador/ouvinte/telespectador façam suas identificações
com os personagens e associações com a sua própria vida. A grande discussão e
talvez a mais pertinente do encontro foi sobre os novos contos de fadas, ou
melhor, as novas roupagens dos contos de fadas, filmes como “Malévola”, “A
garota da capa vermelha”, séries como “Crepúsculo”, “Harry Potter” que trazem novas roupagens dos contos de
fadas para uma linguagem atual, discutindo sobre a objetividade desses
filmes/séries que nos dizem claramente, sem a amenidade dos contos originais, o
que era o bom, o mau, o sexual, não nos permitindo identifica-se com
personagens diferentes, mas nos direcionando. Por exemplo, no conto original e
no da Disney, a má era a madrasta, mas que possibilitaria uma criança ao
assistir, perceber que a sua própria mãe poderia ter momentos de “maldade”, já
no novo conto, “Malévola”, a má é a própria mãe, deixando claro essa relação em
todo o filme. O que poderia de certa forma, desprezar a ludicidade que poderia
ser característica dos contos de fadas. Mas seria essa uma forma de se adaptar
a uma realidade contemporânea onde a “tecnologia” e o consumo fazem parte da
vida das pessoas – e das crianças? As discussões movimentaram-se nesse sentido.
Estudo do Behaviorismo Radical nas faculdades
Ultimamente tenho
sofrido vários ataques embrulhados em papel de presente na faculdade. Por
gostar bastante da Análise do Comportamento e ter defendido bastante a
abordagem em trabalhos e discussões em sala de aula, muitas pessoas tem se
voltado a mim quando criticam o suposto "mecanicismo S->R",
"experimentos com rato" entre outros. Não gosto muito de me colocar
nessa posição de defender uma abordagem em detrimento de outra, primeiro porquê
ainda não escolhi uma, depois, e principalmente, porquê não é digno que o faça.
Então, eu acho que muitos professores e até os próprios alunos, precisam muito
de entender claramente a posição de uma abordagem antes de fazer críticas em
sala de aula, onde a imagem do professor é tida como detentor do conhecimento,
e que vale muito para as escolhas do alunos. É necessário que seja ressaltado
com bastante ênfase uma neutralidade do professor quanto à isso. Quando o
behaviorismo radical aparece como a única abordagem que não se desvia para
termos mentalistas na explicação do comportamento, ela se torna demasiadamente
passível de crítica dessas outras abordagens, que a tratam como uma visão de
homem que retira o caráter "humano" no sentido de sensível e munido
de superioridade quanto às outras espécies e quanto ao mundo, coisa que as
pessoas têm dificuldade de pensar e aceitar - somos a própria natureza!. Bem, diante
de tanta hostilidade científica, espero que essa seja uma dificuldade que as
faculdade saibam lidar para que haja uma multidisciplinaridade no que diz
respeito as teorias, para que os alunos se sintam confortáveis para discriminar
qual abordagem mais responde as suas perguntas e que mais se adeque à forma de
ver o mundo do sujeito.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Homofobia: Um processo de exclusão social
Introdução
A homofobia consiste em uma aversão, repugnância, medo ou ódio que algumas pessoas ou grupos nutrem contra homossexuais ou a homossexualidade. Advindo tanto do meio social, cultural e religioso esse tipo de preconceito tem acarretado a morte de milhares de pessoas homossexuais no Brasil e no mundo. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, a homofobia, que ainda não é considerada crime no país, provocou pelo menos 216 assassinatos de janeiro até o dia 21 de setembro de 2014. Esse é um número aproximado da estimativa da realidade já que a ausência de informações oficiais sobre uma prática que não é discriminada nos boletins de ocorrência não gera os dados necessários para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) gerarem estatísticas oficiais.
Será abordado no trabalho aspectos da manifestação da homofobia nos dias de hoje, que de acordo com a pesquisa de Poeschl at. all (2012), aparece majoritariamente de uma maneira camuflada na sociedade, principalmente depois da aquisição de direitos civis na união matrimonial estável de casais homossexuais.
Outro ponto de relevante importância a ser mencionado é a variedade de expressões da identidade de gênero e orientação sexual humana. Denominações que vão muito além dos significados abarcados na sigla L.G.B.T. (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).
Desenvolvimento
A sexualidade é algo amplo e múltiplo dentro da sociedade, logo, duas categorias como, homossexuais e heterossexuais, não dariam conta de abarcar todas as expressões da sexualidade no ser humano. Embora exista quem discorde dessa rotulação e categorização, ela é importante para que seja reconhecida todas as formas de identificação afetiva de cada indivíduo. Dentro da categoria de gênero, existe o masculino e o feminino, essa divisão binária é defendida por teóricos adeptos de abordagens apenas biológica, já outros teóricos defendem que masculino e feminino são uma construção social de papeis de gênero.
A partir dessa divisão, surge a identidade de gênero, onde os indivíduos expressam psíquica e socialmente uma gama de formas de se vestir, comportamentos, modo de falar e etc. Conforme essa caracterização cultural convenha com o gênero biológico, configura-se uma pessoa cisgênero (ou apenas cis), caso seja diferente do gênero, o transexual. Não obstante, aparece também a orientação sexual dos indivíduos, que definem com quais indivíduos esse vai se identificar afetivamente, que são o caso da orientações hetero, homo, bi, pan e assexual.
De acordo com Herek (2004), a homofobia pode revelar-se sob várias formas. Por exemplo, o heterossexismo é a manifestação da homofobia nas instituições sociais que, através dos seus discursos e retóricas sobre o género, a tradição ou a moralidade, tentam manter os estatutos tanto do grupo dominante como do grupo desviante, denegrindo qualquer comportamento ou relação não heterossexual.
Embora na atualidade as normas sociais das sociedades ocidentais tornem pouco aceitável a manifestação explícita de atitudes preconceituosas, a expressão aberta do preconceito é socialmente melhor aceita quando este é dirigido à minoria homossexual do que a outros grupos (Schneider, 2004). Por conseguinte, as atitudes negativas para com as pessoas que violam as normas de gênero ainda se traduzem, por vezes, em manifestações de hostilidade exacerbada e de violência verbal e física (LaMar & Kite, 1998).
Poeschl et. all diz que, de forma mais geral, o preconceito sexual manifesta-se na população heterossexual de duas formas (Morrison & Morrison, 2002): O preconceito “clássico”, explícito, tem por base objeções tradicionais e morais que desaprovam a homossexualidade (ex.: a homossexualidade é uma perversão, o comportamento homossexual é errado, os homossexuais são nojentos). O preconceito “moderno”, implícito, manifesta-se de forma mais sutil na oposição à extensão dos direitos civis das pessoas heterossexuais às pessoas homossexuais ou na crença de que a minoria homossexual está ganhar vantagens ou direitos imerecidos (ex.: muitos/as homossexuais usam a sua orientação sexual para obter privilégios especiais; os/as homossexuais tornaram-se demasiado exigentes na sua luta por direitos iguais). Os dois tipos de preconceito podem ser medidos, respectivamente, através da escala ATLG (Attitudes Toward Lesbians and Gay Men, Herek, 1988) e da escala MHS (Modern Homonegativity Scale, Morrison & Morrison, 2002). A investigação
revela que os níveis de preconceito implícito das pessoas heterossexuais são mais elevados do que os seus níveis de preconceito explícito (Morrison & Morrison, 2002), apesar dos dois tipos de preconceito estarem correlacionados (Morrison, Kenny & Harrington, 2005).
Existem, como é óbvio, diferenças interindividuais nos níveis de preconceito sexual que provêm de diversos fatores. Por exemplo, muitos estudos revelam que as mulheres são, em média, mais tolerantes para com a homossexualidade do que os homens e que, na atualidade como no passado, a homossexualidade feminina é melhor aceita do que a homossexualidade masculina (Ellis et. all 2002). Existem, ainda, diferenças na expressão do preconceito que provêm das motivações das pessoas para responder de forma (não) preconceituosa (Plant & Devine, 1998): Algumas pessoas são motivadas a não se mostrar preconceituosas por causa das suas atitudes, crenças e valores pessoais; outras por conformidade às normas atuais de igualdade, independentemente das suas crenças pessoais; outras, ainda, não se preocupam com as normas sociais e não se importam de exprimir abertamente os seus preconceitos. Plant e Devine (1998) verificaram que as motivações internas, mas não as externas, estão correlacionadas com medidas auto relatadas de atitudes preconceituosas, ou seja, quanto mais baixo o nível de preconceito, mais forte a motivação interna para controlar o preconceito.
Além da prática constante de discriminação e homofobia pela sociedade, existe outro grande problema em pauta. A impunidade em que se encontra a pessoa que pratica esse tipo de violência. Carlos Magno Fonseca, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, diz que uma das principais reivindicações é que o governo estimule a produção de dados oficiais sobre violações contra gays, o que seria facilitado pela criminalização da homofobia.
De acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que baseia suas estatísticas em denúncias do Disque 100, foram registradas 337 denúncias relativas à homofobia apenas entre janeiro a abril de 2014, o equivalente a mais de duas por dia. São Paulo é o primeiro disparado, com 97 registros (28% do total), seguido por Minas, com 31 (9%). Em 2013, foram 1.695 denúncias pelo Disque 100, sendo 745 de janeiro a abril. Em 2012, houve um pico de 3.017 denúncias, quase o triplo de 2011, quando foram registradas 1.159 queixas.
Um relatório da secretaria divulgado em 2013 e relativo a 2012 revela que 9.982 violações de direitos humanos foram cometidas contra 4.851 vítimas LGBT. No levantamento anterior, de 2011, foram 6.809 violações contra 1.713 vítimas. Os dados mostram ainda que, em 47,3% dos casos, os denunciantes não conheciam as vítimas. Mais de 71% das vítimas são do sexo masculino e mais de 61% têm de 15 a 29 anos.
**Esse artigo foi produzido pelos alunos: Caio Pedra, Naiara Borges, Tayná Alencar, Roseane Martins e Thais Nascimento, alunos do curso de Psicologia da UJ-BA. O blog não se responsabilizará por replicações, quando essas não manterem as citações e referências.
Referências
POESCHL, G.; VENÂNCIO, J.; COSTA, D. Consequências da (não) revelação da homossexualidade e preconceito sexual: O ponto de vista das pessoas homossexuais. Edições Colibri, v. 26, n. 1, p. 33–53, 2012.
BARCELAR, C.; GALDO, R.; MIRANDA, M. No Brasil, homofobia matou ao menos 216 em 2014. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/brasil/no-brasil-homofobia-matou-ao-menos-216-em-2014-14087682>. Acesso em: 20 maio. 2015.
HEREK, G. M. Beyond “homophobia”: Thinking about sexual prejudice and stigma in the twenty-first century. Sexual Research and Social Policy, v. 2, n. 1, p. 6-24, 2004.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
O mau uso da Psicologia
Me canso de ver postagens sobre pesquisas estrangeiras (em sua maioria) afirmando algo sobre o comportamento humano ou sobre a mente, sempre é válido, mas talvez isso ajude a sustentar o pensamento vil que os leigos na área têm da Psicologia. De que forma?
Hoje vi na página "Curiosos" no facebook uma imagem com a seguinte afirmação: "Homens que postam muitas selfies têm traços de psicopatas." A princípio pensei em quanto me esforço para encontrar em tantos estudos sobre a mente e sobre o comportamento humano uma afirmação como essa. Depois, pensei que seria um investimento narcísico muito grande, talvez uma característica comum entre psicopatas (desde os mais variados níveis de psicopatia).
A informação foi retirada de um estudo publicado na revista Galileu. Claro que objetivo da página não é de averiguar quais informações realmente são corretas ou não (pelo menos pelo que vejo) mas apenas divulgar. O que penso é que as pessoas leigas ao ver notícias como essa passam a generalizar a informação e adicionar isso na lista "assuntos escrotos da psicologia" e fortalecer o estereótipo de "loucos, doidos" que nós estudantes de psi temos.
Outra coisa que vem me incomodando há um tempo é sobre como alguns advogados vêm usando os psicólogos da área para defender seus clientes. Já li muitos casos em que o advogado conseguiu convencer de que seu cliente teria um "surto" e assim cometido tal infração, com a ajuda do psicólogo responsável. Talvez o que tenha motivado o cliente a cometer tal crime não fosse nem o tal "surto", mas a visão que muitos advogados têm do psicólogo criminal é "uma carta na manga, alguém qualificado em dizer que o cliente está mal das ideias e não pode responder por tal crime". É triste, pois esse fato pode estar deixando impune criminosos que poderiam sim responder por tais atos.
Enfim, ficam minhas triviais palavras sobre o mau ou indevido uso da psicologia. Ainda existem muitas áreas e grupos de pessoas ou instituições que fazem o mesmo, mas estou de férias.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Vivência subjetiva do tempo
Como cada indivíduo vivencia a experiência do tempo, sua passagem, e suas relações com aspectos particulares da vida de cada um.
"Tudo é precioso
para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo." Friedrich
Nietzsche
O tempo cronológico é
único, segue uma linha direta que não pára, e independente de qualquer fenômeno
do mundo, mesmo não sendo percebido por ninguém, ele continua. Por exemplo, o
relógio de pulso que temos, mesmo que a gente não fique olhando para ele o
tempo todo, ele continua a contar o tempo até que a bateria se esgote, o que
não faz o tempo parar.
Essa característica
de o tempo não parar, é tema desde que se começou a contagem do tempo, de ditos
populares, músicas, poesias e muitos outros aspectos.
O que nos interessa
nesse momento não é o tempo cronológico, esse tempo que podemos contar, mas sim
o tempo subjetivo, a relação do tempo com cada momento da vida dos indivíduos.
Um dia para quem está
em um parque aquático, se divertindo à beça, pode passar muito rápido para o
indivíduo, porém para quem trabalha no local limpando as piscinas, por exemplo,
e acha um saco ter que trabalhar fazendo aquilo, o mesmo dia pode se tornar
quase eterno. O que acontece é que prestar atenção no passar do tempo pode interferir
na sua percepção, fazendo com que ache que as horas "voaram" ou
passaram demasiadamente devagar.
Fazendo uma analogia
com frase do filósofo alemão Nietzsche,
acima citada, podemos analisar que para quem foi privado de tudo por muito
tempo (por exemplo, um prisioneiro que pagou por seus crimes, uma criança que
foi privada de diversão fora de casa por seus pais até depois da adolescência)
a vivência do tempo nesse novo contexto pode se dar de forma demasiadamente
rápida, já que possivelmente irá aproveitar tudo o que antes foi privado de
realizar.
Analisando o
contexto religioso, na bíblia encontramos alguns versículos falando sobre o
tempo:
- Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. (Eclesiastes 3:1)
- Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. (2 Pedro 3:8)
O que se interpreta desses versículos é justamente que para nós, a vivência do tempo é totalmente subjetiva, a passagem do tempo pode ser longa ou curta na percepção de cada um, a depender do contexto em que o mesmo se encontre.
O tempo é único e constante, porém cada um vivencia de forma diferente para cada experiência.
Na infância, começamos a adquirir a noção de tempo depois de ter noção de antes e depois, ordenação de movimentos para realizar determinadas atividades cotidianas (vestir-se, despir-se, calçar os sapatos). Antes disso, um minuto pode ser entendido como uma hora, e uma hora como um segundo, ou seja, ainda não teríamos noções de tempo e nem uma subjetividade totalmente formada, para saber quem, onde e quando somos/estamos.
Referências:
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e reeducação num enfoque psicopedagógico. Petrópolis: Vozes, 2002. (Cap.2. Desenvolvimento da psicomotricidade. p. 41-103).
Bíblia sagrada. Eclesiastes cap 3, vers. 1/2 Pedro cap. 3, vers. 8. Nova versão internacional.
Análise sintomatológica psicanalítica do episódio “Montanha russa” do desenho animado Phineas and Ferb
Introdução
O desenho animado Phineas
and Ferb, (na versão brasileira Phineas e Ferb, Delart RJ) chegou ao Brasil em
fevereiro de 2008 através do canal de TV Disney Channel. Na versão americana, é
uma série de comédia musical animada. Os episódios seguem um enredo padrão, o
momento é sempre as férias de verão dos irmãos, que sem nada para fazer às
tardes, decidem sempre construir um grande projeto, como uma praia particular
em seu quintal, uma montanha russa gigante ou algo parecido e literalmente
impossível. A irmã dos meninos, Candace, sempre tenta contar para sua mãe sobre
o que eles fazem, mas o que sempre acontece é as coisas voltarem ao normal
quando ela presencia, o que irrita muito Candace. O enredo envolve ainda
“Perry, o ornitorrinco”, como um agente secreto que luta contra seu inimigo Dr.
Heinz Doofenshirtz, um cientista maldoso que sempre tenta, impedido pelo Agente
P. (Perry, o ornitorrinco), dominar o mundo através de criações de super
máquinas. Os dois enredos acontecem separados, porém simultaneamente e se
cruzam ao final para apagar os vestígios de tudo que os irmãos construíram sem
a mãe perceber, o que deixa Candace muito frustrada. Analisando os três
personagens principais, Phineas, Ferb e Candace, concluo que pelas
características sintomatológicas apresentadas em toda a série e no episódio
específico “Montanha russa”, que Candace é esquizofrênica, nesta análise, vamos
focar na personagem.
Análise sintomatológica na ótica
psicanalítica da personagem Candace
Como já mencionado, os episódios
seguem um roteiro padrão. O episódio começa com os irmãos planejando o que irão
construir naquela tarde. Logo que a mãe
vai ao supermercado, a irmã e personagem principal, Candace, vai avisar aos
irmãos que estaria responsável por eles na ausência da mãe. Segundo Pequeno
(2002), na esquizofrenia não ocorre
a simbolização da ausência da mãe tal como se dá na paranoia. A mãe funciona
muitas vezes como bengala imaginária. Quando ela não está presente, ele [o
esquizofrênico] se perde. Nessa visão de A. Pequeno, podemos fazer uma analogia
com a personagem, pois os momentos em que as crises aparecem mais fortemente é
na ausência da mãe, que serve para ela como uma bengala imaginária que lhe dá
suporte ajudando a personagem a distinguir, sem sucesso, o que é real e o que é
imaginário. O que se percebe nas próximas cenas, é uma preocupação de
Candace em fazer com que a mãe coloque os irmãos de castigo por terem feito
algo que a irritasse. Como todos os dias das férias eles constroem algo
demasiado engenhoso, ela faz o possível para a mãe perceber, porém sempre a
cena dos irmãos e a cena de Perry, o ornitorrinco, se cruzam para encobrir
tudo. A irmã, esquizofrênica, fantasia as coisas impossíveis que Phineas e Ferb
fazem, e também a vida secreta do animal de estimação e é vista pela mãe como
louca.
O
tipo de esquizofrenia apresentada pela personagem é hebefrênica, pois foi
apresentada na adolescência, e conta ainda com a paranoide, pois vemos as
fantasias, alucinações e a dificuldade de distinguir o que é realidade e o que
é imaginação, por exemplo, o animal de estimação visto pelos irmãos como disse
Phineas no início do episódio “- Ele é um ornitorrinco, não é muito esperto”, é
apenas um animal de estimação qualquer. Entretanto a irmã fantasia que o
ornitorrinco seja um agente secreto que salva a cidade todos os dias da
conspiração de um cientista maldoso que planeja destruir tudo para se sair bem.
A personagem também fantasia coisas absurdas feitas pelos irmãos. No episódio
“Montanha russa”, ela fantasia que eles constroem sozinhos uma super montanha
russa que passa por toda cidade e tem partes que passam desde lava à jatos ao
espaço extraterrestre. Ela apresenta
muitos dos sintomas da doença: Sensação de tensão e irritabilidade
(principalmente com os irmãos), dificuldade de concentração e pensamentos
desordenados (sempre mistura as falas, não para de falar durante as cenas em
que aparece), ilusões (como antes apresentado, conspiração contra os irmãos e
fantasia com o animal de estimação), comportamentos bizarros (no episódio,
observamos o espanto da personagem com a possibilidade de um satélite sair de
órbita e cair dentro de sua casa, e logo após ela ri, sair gritando ao meio da
rua de bicicleta ao encontro da mãe para contar o que os irmãos estão fazendo,
entre outros), ansiedade.
A esquizofrenia é uma doença genética,
mas que precisa de um gatilho, ou série de acontecimentos que gerem trauma na
vida do indivíduo para se desenvolver. Na ótica psicanalítica, segundo Jardim
(2011), o delírio é uma tentativa de
cura, uma reconstrução do mundo exterior pela restituição da libido ao objeto
ainda que por uma via completamente imaginária, algo que não passa despercebido
nos comportamentos do esquizofrênico. Também se pode observar que as
instâncias do aparelho psíquico do esquizofrênico agem diferentemente. Os
impulsos e pulsões contidos no Id não são totalmente julgados pelo superego, e
o que o ego exige do Id é muito mais forte devido às fantasias que o
esquizofrênico julga serem verdadeiras. A baixa censura faz com que ele tenha
contato direto com o inconsciente, a esquizofrenia está dentro da personalidade
psicótica proposta pela teria psicanalítica freudiana.
A
esquizofrenia, segundo a psicanálise, também pode ser desencadeada naqueles que
tem os genes ligados à doença pela relação com uma mãe superprotetora que
também maltrata. A falta de uma das figuras materna/paterna também pode ser um
agente que ajudará nesse processo de desencadeamento da patologia, não temos uma
figura paterna no desenho, o que podemos analisar como uma construção da
criança de uma mãe que faz os dois papeis ao mesmo tempo, e uma falha nesse
contexto mais o gene da doença, desencadearia a patologia em si. A personagem
do desenho em questão não apresenta desleixo com a aparência e higiene, porém
apresenta muito forte a sensação de desconfiança de estarem a provocando (os
irmãos arrumando tudo antes que a mãe veja), sensação de que o ambiente esteja
estranho e também muita agitação, confusão e agressividade. Também vemos
durante o episódio que ela tem uma crença inabalável e alucinações e delírios
de que os dois irmãos e o animal de estimação fazem coisas que na realidade são
impossíveis. Ela não concorda com qualquer correção da mãe sobre suas alucinações,
por exemplo, quando ela vai ao supermercado ao encontro da mãe para contar
sobre o que seus irmãos estavam fazendo, a mãe a chama de louca, e ela logo
rebate dizendo que não está louca, que o que vê é verdade.
Em
algumas pessoas em particular, a patologia causa sintomas cognitivos como
problemas com atenção e alguns tipos de memória, porém em alguns casos podem
ser difíceis de notar (a depender se o paciente estiver em tratamento), e pode
ser que o individuo leve a vida sem sofrer muitas consequências ruins. Na
personagem em análise, observamos que ela apresenta alguma dificuldade na
atenção simultânea, por exemplo, quando fala ao telefone e não percebe que os
irmãos passam por seu lado com coisas absurdas como um leão na jaula e uma
grande quantidade de ferramentas para a construção da montanha russa gigante. É
interessante notar também que em diversos momentos é perguntado à Phineas, o
irmão mais agitado e mais falante, se não é meio impossível que se realize o
que ele faz naquele determinado momento. Ele sempre responde: “-Tem gente que
acha” ou até concorda com o outro, como quando o vendedor da loja de materiais
de construção lhe pergunta: “- Você não é meio novo para ser engenheiro de
montanha russa?”, e ele responde “- Sou, pior que sou”. O que analisamos é que
a irmã, Candace que é que alucina a maior parte (ou tudo) o que acontece no
episódio em questão, tem seus momentos de indagação sobre suas alucinações, que
julga serem verdadeiras. É quando surge esse tipo de pergunta, mostrando claramente
que por mais que ela não aceite que tudo que alucina seja “mentira” ou algo
fora da realidade, é questionável alguns aspectos, como o seu irmão de menos
idade que ela mesma, ser um engenheiro de montanha russa.
Não
saber distinguir entre a realidade e a fantasia é o sintoma chave da patologia
que estamos analisando. Eles realmente estão em período de férias, estão
brincando no quintal, a mãe realmente sai e os deixam sozinhos etc. Porém
Candace alucina tudo que já foi colocado e acredita fielmente que seja
realidade, um aspecto que deve ser colocado é que o esquizofrênico alucina com
coisas do seu cotidiano, exatamente como acontece com Candace, já que o desenho
gira em torno de sua família, alguns amigos e o animal de estimação dos irmãos.
Conclusão
Para
Candace, o tratamento mais adequado seria de controle dos sintomas, pois não há
cura para a doença. Esse tratamento teria que ser com medicamentos controlados,
hospitalização durante as crises para sua segurança e dos outros a sua volta, e
terapia psicossocial para lhe ajudar a se adequar na sociedade e no meio em que
vive. Além disso, é necessário alimentação e sono adequado do paciente, e
higienização.
Além de o trabalho ser muito
importante na fixação de conteúdo e aprendizagem na disciplina, acredito que
tenha aberto os nossos horizontes em relação a teoria psicanalítica e também à
análise de sintomas e características de uma personalidade na ótica da teoria.
Concluo que o trabalho foi de caráter fundamental no meu processo de formação.
Referências
JARDIM, Luciane Loss. A fragmentação
do eu na esquizofrenia e o fenômeno do transitivismo: um caso clínico. Rev. Mal-estar e subjetividade.
Fortaleza, vol. 11, n. 1, mar. 2011.
PEQUENO, Angela. Os demônios do gozo:
uma contribuição para a psicanálise da esquizofrenia. Ágora. Estudos em teoria psicanalítica. Rio de Janeiro, vol. 5, n.
1, Jan./Jun. 2002.
Este artigo foi um trabalho acadêmico feito pelo autor para a disciplina de Teorias da Personalidade. Sua replicação ou uso é de total responsabilidade do replicador.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
8 coisas que você precisa saber antes de fazer Psicologia
Já decidiu que quer cursar Psicologia? Sim? Ótimo, siga esses conselhos de quem já está cursando pra entrar com o pé direito! Não? Leia e desfaça a visão equivocada que se tem do curso por aí!
Caio Pedra
#1 - Você será um psicólogo e não um vidente
Já ouvi - e ouço - muita gente dizer que quer ser psicólogo para poder saber o que o outro está pensando, ou para saber o futuro das pessoas. Essa ideia é bastante equivocada e um mito muito comum entre as pessoas que não conhecem a psicologia. O psicólogo fará a escuta do problema do outro para fazer a intervenção correta, portanto não tem como adivinhar o que o paciente não diz. E sobre saber do futuro das pessoas é impossível pois se assim fosse o crescimento da psicologia seria deliberadamente grande nos últimos tempos.
#2 - Não existe somente o psicólogo clínico
Quando se pensa no psicólogo já se imagina um profissional sentado em uma poltrona em uma sala com ar-condicionado e à sua frente um divã onde se deitará o paciente e falará tudo o que vier à mente. Correto? Sim! Mas somente para aqueles que optarem pela área clínica e ainda assim optar pela base teórica da psicanálise, embora o divã propriamente dito esteja em extinção ultimamente. O psicólogo pode atuar em outras diversas áreas, como educação, hospitalar, jurídica, da infância, do esporte, organizacional... Já que o mercado da psicologia clínica se encontra saturado, existe um leque de opções para o estudante hoje.
#3 - Psicologia dá dinheiro?
Esse quesito eu optei pela interrogação e não afirmação, porquê? Bem, opte por aquilo que você gosta de fazer, ou sente uma identificação com o curso. Se você não gosta de Engenharia Civil, Medicina, Direito ou algum outro curso que te dará um status social, não caia na cilada de fazer só por que dá dinheiro. Imagine acordar todo dia às 6h pra ir pro seu emprego chato e rezar pras horas passarem depressa? Pois é, você tem grandes chances de ser um profissional ruim, sendo assim sua remuneração apenas um alívio para o seu pesar diário. Agora, se você se identifica com a psicologia, faz por amor, para você será prazeroso receber sua remuneração, por menor que seja em comparação com outras profissões, já que sai de casa todo dia para fazer o que gosta. Além de poder atuar em duas (ou mais) áreas ao mesmo tempo. Conheço profissionais que são clínicos, professores, pais ou mães e ainda estudam. Dá pra ganhar uma grana legal.
#4 - Você não fará psicologia com intuito principal de melhorar sua vida ou a vida da sua família/amigos.
Ao fazer psicologia você sempre muda algumas opiniões, quebra tabus, ganha uma visão de mundo diferente, sempre melhora seu convívio com as pessoas ao redor. Mas é eticamente incorreto analisar amigos e familiares mesmo que seja dentro da clínica. É aquele ditado: casa de ferreiro, espeto de pau. Você não fará psicologia com intuito principal de analisar toda sua vida, amigos e familiares e entender o problema deles para intervir. O melhor a se fazer é convencê-los a procurar um psicólogo que não seja você e realizar a análise, coisa mais ética e simples a se fazer.
#5 - Psicólogo não hipnotiza as pessoas/pacientes.
A técnica foi usada por Freud para tratar mulheres histéricas no início do séc. XIX e fora abandonada pelo mesmo, evoluindo para o método da cura pela conversa (catarse) e depois pelo método de associação livre. Hoje a técnica pode até ser usada, mas primeiro não tem apoio ético (pelo código de ética do psicólogo) para ser realizada, sendo seus efeitos de sua total responsabilidade. Segundo o próprio Freud observou sua pouca eficácia já que poucos pacientes eram "hipnotizáveis". Depois, no estado hipnótico o paciente não fica inconsciente, ele apenas entra num estado de sono consciente onde fica suscetível a indução de pensamentos.
#6 - Psicologia é ciência (há controversas).
Embora muitos afirmem (e estudem a respeito), no âmbito acadêmico existe uma discussão a respeito da Psicologia como ciência. O status de ciência da Psicologia foi adquirido quando se desassociou da Filosofia e atraiu novos pesquisadores e estudiosos, que sob os novos padrões de produção de conhecimento (ciência é também um acúmulo de conhecimento), passaram a definir seu objeto de estudo, delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas do conhecimento como a Filosofia e a Fisiologia, formular métodos de estudo desse objeto, etc. Então, não temos muitos argumentos favoráveis a ideia de que Psicologia não seja ciência, embora haja pessoas e ideologias contrárias.
#7 - Não tem matemática.
Muita gente procura seu curso a partir de critérios como o de não conter disciplinas das ciências exatas, como a temida matemática. Entretanto, temos na maioria dos cursos de graduação, a disciplina de Estatística, onde há cálculos simples que serão indispensáveis para sua atuação profissional. Além de praticamente não ter como se "livrar" dela, pela sua presença insubstituível na maioria dos cursos.
#8 - Há diversas abordagens teóricas, quais você escolherá uma que mais te identifica e aderir.
A forma de ouvir, tratar e curar cada paciente se dá de forma diferente, ate porquê as pessoas são todas diferentes. Por isso e por outros, não teria como termos uma Psicologia padrão, estagnada. Para tanto, existem diversas (centenas) de psicologias, como sugere o nome do blog, psicologias em foco. Dentre elas podemos citar a Psicanálise, formulada e inventada por Sigmund Freud; o Behaviorismo Radical, (ou Comportamentalismo) formulada por B. F. Skinner, como reformulação dos estudos de John B. Watson, Ivan Pavlov, entre outros; a Psicologia da Gestalt, tendo como pesquisadores que marcaram essa abordagem Marx Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Kohler; entre outras diversas.
ATENÇÃO: Conteúdo baseado na própria experiência do autor. Esse artigo não tem a intensão de confundir as ideias de ninguém, nem influenciar na escolha da futura profissão de ninguém. A replicação e distribuição é de total responsabilidade do replicador, não responsabilizando o autor do artigo. 2014, setembro, Caio Pedra.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
COMO O MITO NARRA A ORIGEM DO MUNDO E DE TUDO QUE NELE EXISTE?
Caio Pedra
Mariana Guimarães
INTRODUÇÃO
Este trabalho acadêmico tem a finalidade de demonstrar como o mito explica a origem do mundo e do que ele existe, de forma a despertar no leitor a curiosidade de entender que cada civilização tem uma forma de pensar, que todas tem um fundo de verdade e que todas são válidas. Veremos também como o mito influenciou e influencia o pensamento e que se soma à ciência e à filosofia.
O pensamento mítico é comum a todas as civilizações, podemos encontrar mitos na Grécia antiga, no Egito, na Pérsia, na China, na índia, entre os Hebreus, entre os Esquimós, os Índios norte-americanos e os Tupis-guaranis. Um mito é um relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam sobre forma simbólica as forças da natureza e os aspectos mais gerais da condição humana.
O mito é uma narrativa. É um discurso, uma fala. É uma forma de as sociedades espelharem suas contradições, exprimirem seus paradoxos, dúvidas e inquietações. Pode ser visto como uma possibilidade de se refletir sobre a existência, o cosmos, as situações de “estar no mundo” ou as relações sociais. (ROCHA; Everaldo, 1996, p. 3).
Nos primórdios da humanidade os mitos serviram para estimular as pessoas a agirem de determinado modo. As narrações mitológicas encorajavam os homens à caça, à guerra ou para a preparação de rituais sagrados.
Chaui (2000, p. 32,33) identifica três maneiras pelas quais o mito explica a origem do mundo e das coisas que há nele: (1) encontrando o pai e mãe dos seres e coisas, isto é, tudo que existe decorre entre relações sexuais entre forças divinas e pessoais; (2) encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. (3) encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente.
As explicações da origem do universo e da vida são diferentes a cada mitologia de um lugar. No Brasil, a cosmogonia dos Índios se reporta a um criador do céu, da terra e dos animais (o Monã dos tupinambás) e a um criador do mar, Amã Atupane (Tupã), considerado pelos jesuítas o mais próximo da ideia de Deus surgida nos domínios da catequese. Na mitologia Grega, a origem do universo se deu com o surgimento de Gaia (a Terra) e Urano do caos escuro e vazio que era. A partir da relação sexual desses, surgiram os outros planetas e os deuses e deusas do amor e do sexo (Afrodite), por exemplo. Então a origem do mundo e das coisas que existem se deu através dos conflitos e relações sexuais entre estes.
Mais um exemplo de criação do mundo e das coisas que nele existem através da mitologia, é o Budismo. Nesta não há um deus criador, e a religião não começa no inicio dos tempos, e sim com o despertar de Buda. O universo tal como é simplesmente sempre foi assim “desde o tempo sem início”. O Budismo considera todas as coisas como fenômenos e nenhum fenômeno possui natureza independente, o que explica que todos eles ocorrem somente do relacionamento com outros.
Atualmente, a cosmogonia pode ser facilmente dividida em duas teorias: Teoria evolucionista, incrementada posteriormente com a pesquisa de Charles Darwin desenvolvendo seu livro “A origem das espécies”, e a Teoria criacionista cristã, baseada na Bíblia sagrada pelo cristianismo e dependente de interpretação pessoal ou de religiões que usam o livro como base para seus princípios. Em relação com a mitologia, podemos observar que a Teoria criacionista tem aspectos irrelevantes de mito. Nela, a terra era sem forma e vazia, e com o comando de um ser superior (Deus), tudo foi surgindo no intervalo de seis dias, como o sol, a lua (dia e noite), a separação entre as águas e a expansão entre elas, a parte seca como terra e o ajuntamento de água como mares, as árvores frutíferas e todas as espécies de animais, e finalmente o homem à sua imagem, e posteriormente a mulher, feita da costela do homem. (BÍBLIA. Gêneses, cap. 1, vers. 1 ao 31).
CONCLUSÃO
Podemos observar que o mito nos cerca atualmente, e que é fundamental tanto para incrementar as explicações da ciência (e da filosofia), quanto para explicar fenômenos como a origem da vida na terra em suas diferentes versões a depender do momento histórico e contexto da sociedade em que é narrado.
REFERÊNCIAS
CHAUI, Marilena. (2000). Convite à filosofia. Ática, São Paulo. P. 32-33.
ROCHA, Everaldo. (1996). O que é mito. Brasiliense. P. 3.
BÍBLIA SAGRADA. Gêneses, cap. 1, vers. 1-31. Nova versão internacional.
Artigo feito por Caio Pedra e Mariana Guimarães como avaliação parcial da disciplina de Fundamentos Filosóficos e Epistemológicos da Psicologia, Centro Universitário Jorge Amado, Salvador-Ba, datado de Maio de 2014.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Psicologia fora da Universidade
O que muda na vida de quem pratica?
Caio Pedra
O curso de psicologia, como todos sabem, é da área das ciências humanas, ou seja, refere-se às ciências que têm o homem como objeto de estudo, ou então o seu foco. Entender o homem, sua mente, seu comportamento e seus aspectos culturais e sociais não é tarefa fácil para os estudantes de psicologia e psicólogos, psicanalistas e até os psiquiatras, principalmente quando além de tudo, ainda se depara com diversas abordagens teóricas que explicam à sua maneira cada um desses aspectos. É um curso onde se tem que formar opiniões, quebrar paradigmas, tabus, preconceitos e aprender a respeitar o próximo, se colocar no lugar do outro, ouvir o outro lado da história.
Chega em determinado momento, que você aprende que muitos comportamentos do homem são instintivos, como o comportamento dos animais. Só com essa informação, a sua visão de mundo começa a ganhar um significado e um espaço mais amplo e assim o estudante começa a olhar o outro com mais sensibilidade.
Bem, fora da universidade, fazer psicologia é justamente o que já foi colocado, entender o outro, seu comportamento e buscar quebrar um pouco a rotulação e estereótipos que tentam sem sucesso descrever os traços de personalidade de cada pessoa. Realmente, a sociedade é um âmbito que desenvolve rótulos com base em minorias para descrever um todo, e as vezes nós temos determinada ideia na cabeça que não sabemos nem de onde veio, mas precisamos começar a pensar o porquê que toda menina quando nasce ganha várias bonecas e nenhum carrinho. Mas não é porquê as mulheres eram (pelo menos antes do surto do feminismo) responsáveis pela criação dos filhos, e os homens pelo trabalho para o sustento da família? De qualquer forma sim, mas temos que procurar mudar a criação dos filhos para que o estereótipo das tarefas de menino e de menina seja exterminado, e todas as crianças façam o que sonharem fazer, independente do sexo.
Psicologia do cotidiano é observar tais fenômenos e começar a pensar a respeito, querer incentivar a mudança, a metamorfose. A psicologia é uma ciência relativamente nova, em construção, que precisa de ainda mais pessoas para seu crescimento e desmistificação.
REFERENCIAS: Guia das carreiras. Definição de ciências humanas. Disponível em: http://www.guiadacarreira.com.br/artigos/guia-das-profissoes/ciencias-humanas/
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Psicologia e Filosofia
Por que se estudar Filosofia em Psicologia? Qual a importância de alguns filósofos para o entendimento do homem, seu pensamento e seu contexto social em todos os aspectos?
Caio Pedra
Como se deu a origem do mundo? Quem somos e porquê estamos aqui? Onde está a mente? (Note que mente e cérebro não são sinônimos)... São apenas algumas das primeiras perguntas-sem-resposta que os filósofos se ocupavam em tentar responder.
Epistemologia (estudo do conhecimento) não foge muito do conceito de filosofia, sendo uma complementação para o estudo da filosofia geral e base para ter uma visão de todos os antecedentes e uma possível "psicologia" não propriamente dita de séculos passados bem distantes do nosso.
Nessa disciplina ouve-se muito falar em mito, crenças, ciência x filosofia (mais especificamente filosofia x dialética), fenomenologia, e outras escolas teóricas filosóficas. Muito se discute sobre questões filosóficas atuais também, fazendo um panorama das perguntas mais básicas com respostas diversas que não são satisfatórias para quase ninguém.
Na antiguidade, se acreditava que muitas (ou todas) as doenças psicossomáticas (doença orgânica, mas com causa psicológica) se davam por possessões demoníacas, como a epilepsia, esquizofrenia, histeria e outras doenças. Fala-se muito sobre a causa dessas doenças também, dentre outras questões éticas dentro da filosofia geral.
Para o estudante de psicologia, é fundamental que tenha uma visão ampla de como o pensamento de Descartes, Aristóteles, Sócrates, Foucault, Platão, Hipócrates, dentre outras dezenas de pensadores e filósofos influenciaram para o surgimento da psicologia atual.
Um exemplo de pensamento que influenciou não só a psicologia, mas a fisiologia, neurociência, medicina, e outras ciências foi o método cartesiano proposto por René Descartes(1596-1650), que prega que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância", para Descartes, a nossa mente (ou consciência, ou ainda, espírito) e a realidade externa são dois reinos separados e autônomos, nenhum sendo dependente do outro. Embora ele não negue que a mente seja capaz de compreender objetos externos a ela, aquilo de que estamos imediatamente conscientes, para Descartes, não são os objetos externos, mas apenas representações mentais, ou ideias, produzidas pela nossa própria mente. A mente, portanto, tem contato com o mundo externo apenas através de ideias, que são representações mentais dos objetos externos. Alguns Neurologistas, até hoje aceitam essa teoria, enquanto outros não a toleram. Descartes é um dualista, ou melhor, "lançou" o dualismo mente-corpo, o que significa que ele acredita que a mente é algo imaterial, enquanto o corpo é físico e material. Ele separou as duas coisas, ao contrário de Aristóteles, por exemplo, que era um monista (mente e corpo juntos e inseparáveis). Uma frase bem comum de ser lida e muitas vezes mal interpretada do pensador, é: "Cogito, ergo sum." em latim, que quer dizer: "Penso, logo existo". Nela ele expressou que só quem pensava (homens, e homens mesmo, o que não incluía mulheres, crianças e animais) pensavam, então só os mesmos tinham o poder, coisa que na época (séc. XVI) era totalmente aceito e não questionado.
Enfim, a disciplina de Filosofia seja ela com qualquer denominação, ou dentro de outras disciplinas, é de suma importância para o entendimento da psicologia atual enquanto ciência. Creio que ensinar filosofia ajuda no fato dos estudantes pensarem e questionarem o que está sendo estudado. A psicologia é um conhecimento científico então acaba sendo diferente da filosofia.
Referências: ABREU, Marisa de. Doenças psicossomáticas. Site da Clínica de Psicologia. Disponível em: http://www.marisapsicologa.com.br/doencas-psicossomaticas.html.
MARTINS, Pedro A. Método cartesiano - projeto cartesiano de René Descartes. Pelo site Psicoloucos. 2014. Disponível em: http://www.psicoloucos.com/Rene-Descartes/metodo-cartesiano.html.
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