terça-feira, 2 de setembro de 2014

8 coisas que você precisa saber antes de fazer Psicologia

Já decidiu que quer cursar Psicologia? Sim? Ótimo, siga esses conselhos de quem já está cursando pra entrar com o pé direito! Não? Leia e desfaça a visão equivocada que se tem do curso por aí! 

Caio Pedra

#1 - Você será um psicólogo e não um vidente

Já ouvi - e ouço - muita gente dizer que quer ser psicólogo para poder saber o que o outro está pensando, ou para saber o futuro das pessoas. Essa ideia é bastante equivocada e um mito muito comum entre as pessoas que não conhecem a psicologia. O psicólogo fará a escuta do problema do outro para fazer a intervenção correta, portanto não tem como adivinhar o que o paciente não diz. E sobre saber do futuro das pessoas é impossível pois se assim fosse o crescimento da psicologia seria deliberadamente grande nos últimos tempos.


#2 - Não existe somente o psicólogo clínico


Quando se pensa no psicólogo já se imagina um profissional sentado em uma poltrona em uma sala com ar-condicionado e à sua frente um divã onde se deitará o paciente e falará tudo o que vier à mente. Correto? Sim! Mas somente para aqueles que optarem pela área clínica e ainda assim optar pela base teórica da psicanálise, embora o divã propriamente dito esteja em extinção ultimamente. O psicólogo pode atuar em outras diversas áreas, como educação, hospitalar, jurídica, da infância, do esporte, organizacional... Já que o mercado da psicologia clínica se encontra saturado, existe um leque de opções para o estudante hoje. 


#3 - Psicologia dá dinheiro?


Esse quesito eu optei pela interrogação e não afirmação, porquê? Bem, opte por aquilo que você gosta de fazer, ou sente uma identificação com o curso. Se você não gosta de Engenharia Civil, Medicina, Direito ou algum outro curso que te dará um status social, não caia na cilada de fazer só por que dá dinheiro. Imagine acordar todo dia às 6h pra ir pro seu emprego chato e rezar pras horas passarem depressa? Pois é, você tem grandes chances de ser um profissional ruim, sendo assim sua remuneração apenas um alívio para o seu pesar diário. Agora, se você se identifica com a psicologia, faz por amor, para você será prazeroso receber sua remuneração, por menor que seja em comparação com outras profissões, já que sai de casa todo dia para fazer o que gosta. Além de poder atuar em duas (ou mais) áreas ao mesmo tempo. Conheço profissionais que são clínicos, professores, pais ou mães e ainda estudam. Dá pra ganhar uma grana legal.


#4 - Você não fará psicologia com intuito principal de melhorar sua vida ou a vida da sua família/amigos.


Ao fazer psicologia você sempre muda algumas opiniões, quebra tabus, ganha uma visão de mundo diferente, sempre melhora seu convívio com as pessoas ao redor. Mas é eticamente incorreto analisar amigos e familiares mesmo que seja dentro da clínica. É aquele ditado: casa de ferreiro, espeto de pau. Você não fará psicologia com intuito principal de analisar toda sua vida, amigos e familiares e entender o problema deles para intervir. O melhor a se fazer é convencê-los a procurar um psicólogo que não seja você e realizar a análise, coisa mais ética e simples a se fazer.

#5 - Psicólogo não hipnotiza as pessoas/pacientes.


A técnica foi usada por Freud para tratar mulheres histéricas no início do séc. XIX e fora abandonada pelo mesmo, evoluindo para o método da cura pela conversa (catarse) e depois pelo método de associação livre. Hoje a técnica pode até ser usada, mas primeiro não tem apoio ético (pelo código de ética do psicólogo) para ser realizada, sendo seus efeitos de sua total responsabilidade. Segundo o próprio Freud observou sua pouca eficácia já que poucos pacientes eram "hipnotizáveis". Depois, no estado hipnótico o paciente não fica inconsciente, ele apenas entra num estado de sono consciente onde fica suscetível a indução de pensamentos.


#6 - Psicologia é ciência (há controversas).


Embora muitos afirmem (e estudem a respeito), no âmbito acadêmico existe uma discussão a respeito da Psicologia como ciência. O status de ciência da Psicologia foi adquirido quando se desassociou da Filosofia e atraiu novos pesquisadores e estudiosos, que sob os novos padrões de produção de conhecimento (ciência é também um acúmulo de conhecimento), passaram a definir seu objeto de estudo, delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas do conhecimento como a Filosofia e a Fisiologia, formular métodos de estudo desse objeto, etc. Então, não temos muitos argumentos favoráveis a ideia de que Psicologia não seja ciência, embora haja pessoas e ideologias contrárias.   


#7 - Não tem matemática.


Muita gente procura seu curso a partir de critérios como o de não conter disciplinas das ciências exatas, como a temida matemática. Entretanto, temos na maioria dos cursos de graduação, a disciplina de Estatística, onde há cálculos simples que serão indispensáveis para sua atuação profissional. Além de praticamente não ter como se "livrar" dela, pela sua presença insubstituível na maioria dos cursos.


#8 - Há diversas abordagens teóricas, quais você escolherá uma que mais te identifica e aderir.


A forma de ouvir, tratar e curar cada paciente se dá de forma diferente, ate porquê as pessoas são todas diferentes. Por isso e por outros, não teria como termos uma Psicologia padrão, estagnada. Para tanto, existem diversas (centenas) de psicologias, como sugere o nome do blog, psicologias em foco. Dentre elas podemos citar a Psicanálise, formulada e inventada por Sigmund Freud; o Behaviorismo Radical, (ou Comportamentalismo) formulada por B. F. Skinner, como reformulação dos estudos de John B. Watson, Ivan Pavlov, entre outros; a Psicologia da Gestalt, tendo como pesquisadores que marcaram essa abordagem Marx Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Kohler; entre outras diversas. 



ATENÇÃO: Conteúdo baseado na própria experiência do autor. Esse artigo não tem a intensão de confundir as ideias de ninguém, nem influenciar na escolha da futura profissão de ninguém. A replicação e distribuição é de total responsabilidade do replicador, não responsabilizando o autor do artigo. 2014, setembro, Caio Pedra. 




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

COMO O MITO NARRA A ORIGEM DO MUNDO E DE TUDO QUE NELE EXISTE?


Caio Pedra
Mariana Guimarães
INTRODUÇÃO

Este trabalho acadêmico tem a finalidade de demonstrar como o mito explica a origem do mundo e do que ele existe, de forma a despertar no leitor a curiosidade de entender que cada civilização tem uma forma de pensar, que todas tem um fundo de verdade e que todas são válidas. Veremos também como o mito influenciou e influencia o pensamento e que se soma à ciência e à filosofia.


O pensamento mítico é comum a todas as civilizações, podemos encontrar mitos na Grécia antiga, no Egito, na Pérsia, na China, na índia, entre os Hebreus, entre os Esquimós, os Índios norte-americanos e os Tupis-guaranis. Um mito é um relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam sobre forma simbólica as forças da natureza e os aspectos mais gerais da condição humana.  
                          O mito é uma narrativa. É um discurso, uma fala. É uma forma de as sociedades espelharem suas contradições, exprimirem seus paradoxos, dúvidas e inquietações. Pode ser visto como uma possibilidade de se refletir sobre a existência, o cosmos, as situações de “estar no mundo” ou as relações sociais. (ROCHA; Everaldo, 1996, p. 3).
Nos primórdios da humanidade os mitos serviram para estimular as pessoas a agirem de determinado modo. As narrações mitológicas encorajavam os homens à caça, à guerra ou para a preparação de rituais sagrados. 
Chaui (2000, p. 32,33) identifica três maneiras pelas quais o mito explica a origem do mundo e das coisas que há nele: (1) encontrando o pai e mãe dos seres e coisas, isto é, tudo que existe decorre entre relações sexuais entre forças divinas e pessoais; (2) encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. (3) encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente. 
As explicações da origem do universo e da vida são diferentes a cada mitologia de um lugar. No Brasil, a cosmogonia dos Índios se reporta a um criador do céu, da terra e dos animais (o Monã dos tupinambás) e a um criador do mar, Amã Atupane (Tupã), considerado pelos jesuítas o mais próximo da ideia de Deus surgida nos domínios da catequese. Na mitologia Grega, a origem do universo se deu com o surgimento de Gaia (a Terra) e Urano do caos escuro e vazio que era. A partir da relação sexual desses, surgiram os outros planetas e os deuses e deusas do amor e do sexo (Afrodite), por exemplo. Então a origem do mundo e das coisas que existem se deu através dos conflitos e relações sexuais entre estes. 
Mais um exemplo de criação do mundo e das coisas que nele existem através da mitologia, é o Budismo. Nesta não há um deus criador, e a religião não começa no inicio dos tempos, e sim com o despertar de Buda. O universo tal como é simplesmente sempre foi assim “desde o tempo sem início”. O Budismo considera todas as coisas como fenômenos e nenhum fenômeno possui natureza independente, o que explica que todos eles ocorrem somente do relacionamento com outros. 
Atualmente, a cosmogonia pode ser facilmente dividida em duas teorias: Teoria evolucionista, incrementada posteriormente com a pesquisa de Charles Darwin desenvolvendo seu livro “A origem das espécies”, e a Teoria criacionista cristã, baseada na Bíblia sagrada pelo cristianismo e dependente de interpretação pessoal ou de religiões que usam o livro como base para seus princípios. Em relação com a mitologia, podemos observar que a Teoria criacionista tem aspectos irrelevantes de mito. Nela, a terra era sem forma e vazia, e com o comando de um ser superior (Deus), tudo foi surgindo no intervalo de seis dias, como o sol, a lua (dia e noite), a separação entre as águas e a expansão entre elas, a parte seca como terra e o ajuntamento de água como mares, as árvores frutíferas e todas as espécies de animais, e finalmente o homem à sua imagem, e posteriormente a mulher, feita da costela do homem. (BÍBLIA. Gêneses, cap. 1, vers. 1 ao 31). 

CONCLUSÃO

Podemos observar que o mito nos cerca atualmente, e que é fundamental tanto para incrementar as explicações da ciência (e da filosofia), quanto para explicar fenômenos como a origem da vida na terra em suas diferentes versões a depender do momento histórico e contexto da sociedade em que é narrado. 

REFERÊNCIAS

CHAUI, Marilena. (2000). Convite à filosofia. Ática, São Paulo. P. 32-33. 
ROCHA, Everaldo. (1996). O que é mito. Brasiliense. P. 3. 
BÍBLIA SAGRADA. Gêneses, cap. 1, vers. 1-31. Nova versão internacional.  



Artigo feito por Caio Pedra e Mariana Guimarães como avaliação parcial da disciplina de Fundamentos Filosóficos e Epistemológicos da Psicologia, Centro Universitário Jorge Amado, Salvador-Ba, datado de Maio de 2014.