terça-feira, 12 de agosto de 2014

Psicologia fora da Universidade

O que muda na vida de quem pratica? 

Caio Pedra

 O curso de psicologia, como todos sabem, é da área das ciências humanas, ou seja, refere-se às ciências que têm o homem como objeto de estudo, ou então o seu foco. Entender o homem, sua mente, seu comportamento e seus aspectos culturais e sociais não é tarefa fácil para os estudantes de psicologia e psicólogos, psicanalistas e até os psiquiatras, principalmente quando além de tudo, ainda se depara com diversas abordagens teóricas que explicam à sua maneira cada um desses aspectos. É um curso onde se tem que formar opiniões, quebrar paradigmas, tabus, preconceitos e aprender a respeitar o próximo, se colocar no lugar do outro, ouvir o outro lado da história. 
 Chega em determinado momento, que você aprende que muitos comportamentos do homem são instintivos, como o comportamento dos animais. Só com essa informação, a sua visão de mundo começa a ganhar um significado e um espaço mais amplo e assim o estudante começa a olhar o outro com mais sensibilidade. 
 Bem, fora da universidade, fazer psicologia é justamente o que já foi colocado, entender o outro, seu comportamento e buscar quebrar um pouco a rotulação e estereótipos que tentam sem sucesso descrever os traços de personalidade de cada pessoa. Realmente, a sociedade é um âmbito que desenvolve rótulos com base em minorias para descrever um todo, e as vezes nós temos determinada ideia na cabeça que não sabemos nem de onde veio, mas precisamos começar a pensar o porquê que toda menina quando nasce ganha várias bonecas e nenhum carrinho. Mas não é porquê as mulheres eram (pelo menos antes do surto do feminismo) responsáveis pela criação dos filhos, e os homens pelo trabalho para o sustento da família? De qualquer forma sim, mas temos que procurar mudar a criação dos filhos para que o estereótipo das tarefas de menino e de menina seja exterminado, e todas as crianças façam o que sonharem fazer, independente do sexo. 
 Psicologia do cotidiano é observar tais fenômenos e começar a pensar a respeito, querer incentivar a mudança, a metamorfose. A psicologia é uma ciência relativamente nova, em construção, que precisa de ainda mais pessoas para seu crescimento e desmistificação. 

REFERENCIAS: Guia das carreiras. Definição de ciências humanas. Disponível em: http://www.guiadacarreira.com.br/artigos/guia-das-profissoes/ciencias-humanas/



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Psicologia e Filosofia

Por que se estudar Filosofia em Psicologia? Qual a importância de alguns filósofos para o entendimento do homem, seu pensamento e seu contexto social em todos os aspectos? 

Caio Pedra

 Geralmente no primeiro semestre do curso encontramos uma disciplina intitulada "Fundamentos Filosóficos e Epistemológicos da Psicologia", apenas "Filosofia", ou dentre outras denominações. Antes mesmo de se sentir plantado no solo psi, temos muitas perguntas sem resposta e é justamente por conta de perguntas sem respostas que a filosofia existe. 
 Como se deu a origem do mundo? Quem somos e porquê estamos aqui? Onde está a mente? (Note que mente e cérebro não são sinônimos)... São apenas algumas das primeiras perguntas-sem-resposta que os filósofos se ocupavam em tentar responder. 
Epistemologia (estudo do conhecimento) não foge muito do conceito de filosofia, sendo uma complementação para o estudo da filosofia geral e base para ter uma visão de todos os antecedentes e uma possível "psicologia" não propriamente dita de séculos passados bem distantes do nosso.  
Nessa disciplina ouve-se muito falar em mito, crenças, ciência x filosofia (mais especificamente filosofia x dialética), fenomenologia, e outras escolas teóricas filosóficas. Muito se discute sobre questões filosóficas atuais também, fazendo um panorama das perguntas mais básicas com respostas diversas que não são satisfatórias para quase ninguém. 
 Na antiguidade, se acreditava que muitas (ou todas) as doenças psicossomáticas (doença orgânica, mas com causa psicológica) se davam por possessões demoníacas, como a epilepsia, esquizofrenia, histeria e outras doenças. Fala-se muito sobre a causa dessas doenças também, dentre outras questões éticas dentro da filosofia geral.
 Para o estudante de psicologia, é fundamental que tenha uma visão ampla de como o pensamento de Descartes, Aristóteles, Sócrates, Foucault, Platão, Hipócrates, dentre outras dezenas de pensadores e filósofos influenciaram para o surgimento da psicologia atual. 
 Um exemplo de pensamento que influenciou não só a psicologia, mas a fisiologia, neurociência, medicina, e outras ciências foi o método cartesiano proposto por René Descartes(1596-1650), que prega que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância", para Descartes, a nossa mente (ou consciência, ou ainda, espírito) e a realidade externa são dois reinos separados e autônomos, nenhum sendo dependente do outro. Embora ele não negue que a mente seja capaz de compreender objetos externos a ela, aquilo de que estamos imediatamente conscientes, para Descartes, não são os objetos externos, mas apenas representações mentais, ou ideias, produzidas pela nossa própria mente. A mente, portanto, tem contato com o mundo externo apenas através de ideias, que são representações mentais dos objetos externos. Alguns Neurologistas, até hoje aceitam essa teoria, enquanto outros não a toleram. Descartes é um dualista, ou melhor, "lançou" o dualismo mente-corpo, o que significa que ele acredita que a mente é algo imaterial, enquanto o corpo é físico e material. Ele separou as duas coisas, ao contrário de Aristóteles, por exemplo, que era um monista (mente e corpo juntos e inseparáveis). Uma frase bem comum de ser lida e muitas vezes mal interpretada do pensador, é: "Cogito, ergo sum." em latim, que quer dizer: "Penso, logo existo". Nela ele expressou que só quem pensava (homens, e homens mesmo, o que não incluía mulheres, crianças e animais) pensavam, então só os mesmos tinham o poder, coisa que na época (séc. XVI) era totalmente aceito e não questionado.  
 Enfim, a disciplina de Filosofia seja ela com qualquer denominação, ou dentro de outras disciplinas, é de suma importância para o entendimento da psicologia atual enquanto ciência. Creio que ensinar filosofia ajuda no fato dos estudantes pensarem e questionarem o que está sendo estudado. A psicologia é um conhecimento científico então acaba sendo diferente da filosofia.
         


Referências: ABREU, Marisa de. Doenças psicossomáticas. Site da Clínica de Psicologia. Disponível em: http://www.marisapsicologa.com.br/doencas-psicossomaticas.html.

MARTINS, Pedro A. Método cartesiano - projeto cartesiano de René Descartes. Pelo site Psicoloucos. 2014. Disponível em: http://www.psicoloucos.com/Rene-Descartes/metodo-cartesiano.html.