Por que se estudar Filosofia em Psicologia? Qual a importância de alguns filósofos para o entendimento do homem, seu pensamento e seu contexto social em todos os aspectos?
Caio Pedra
Como se deu a origem do mundo? Quem somos e porquê estamos aqui? Onde está a mente? (Note que mente e cérebro não são sinônimos)... São apenas algumas das primeiras perguntas-sem-resposta que os filósofos se ocupavam em tentar responder.
Epistemologia (estudo do conhecimento) não foge muito do conceito de filosofia, sendo uma complementação para o estudo da filosofia geral e base para ter uma visão de todos os antecedentes e uma possível "psicologia" não propriamente dita de séculos passados bem distantes do nosso.
Nessa disciplina ouve-se muito falar em mito, crenças, ciência x filosofia (mais especificamente filosofia x dialética), fenomenologia, e outras escolas teóricas filosóficas. Muito se discute sobre questões filosóficas atuais também, fazendo um panorama das perguntas mais básicas com respostas diversas que não são satisfatórias para quase ninguém.
Na antiguidade, se acreditava que muitas (ou todas) as doenças psicossomáticas (doença orgânica, mas com causa psicológica) se davam por possessões demoníacas, como a epilepsia, esquizofrenia, histeria e outras doenças. Fala-se muito sobre a causa dessas doenças também, dentre outras questões éticas dentro da filosofia geral.
Para o estudante de psicologia, é fundamental que tenha uma visão ampla de como o pensamento de Descartes, Aristóteles, Sócrates, Foucault, Platão, Hipócrates, dentre outras dezenas de pensadores e filósofos influenciaram para o surgimento da psicologia atual.
Um exemplo de pensamento que influenciou não só a psicologia, mas a fisiologia, neurociência, medicina, e outras ciências foi o método cartesiano proposto por René Descartes(1596-1650), que prega que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância", para Descartes, a nossa mente (ou consciência, ou ainda, espírito) e a realidade externa são dois reinos separados e autônomos, nenhum sendo dependente do outro. Embora ele não negue que a mente seja capaz de compreender objetos externos a ela, aquilo de que estamos imediatamente conscientes, para Descartes, não são os objetos externos, mas apenas representações mentais, ou ideias, produzidas pela nossa própria mente. A mente, portanto, tem contato com o mundo externo apenas através de ideias, que são representações mentais dos objetos externos. Alguns Neurologistas, até hoje aceitam essa teoria, enquanto outros não a toleram. Descartes é um dualista, ou melhor, "lançou" o dualismo mente-corpo, o que significa que ele acredita que a mente é algo imaterial, enquanto o corpo é físico e material. Ele separou as duas coisas, ao contrário de Aristóteles, por exemplo, que era um monista (mente e corpo juntos e inseparáveis). Uma frase bem comum de ser lida e muitas vezes mal interpretada do pensador, é: "Cogito, ergo sum." em latim, que quer dizer: "Penso, logo existo". Nela ele expressou que só quem pensava (homens, e homens mesmo, o que não incluía mulheres, crianças e animais) pensavam, então só os mesmos tinham o poder, coisa que na época (séc. XVI) era totalmente aceito e não questionado.
Enfim, a disciplina de Filosofia seja ela com qualquer denominação, ou dentro de outras disciplinas, é de suma importância para o entendimento da psicologia atual enquanto ciência. Creio que ensinar filosofia ajuda no fato dos estudantes pensarem e questionarem o que está sendo estudado. A psicologia é um conhecimento científico então acaba sendo diferente da filosofia.
Referências: ABREU, Marisa de. Doenças psicossomáticas. Site da Clínica de Psicologia. Disponível em: http://www.marisapsicologa.com.br/doencas-psicossomaticas.html.
MARTINS, Pedro A. Método cartesiano - projeto cartesiano de René Descartes. Pelo site Psicoloucos. 2014. Disponível em: http://www.psicoloucos.com/Rene-Descartes/metodo-cartesiano.html.
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