Na oportunidade de participar do Interculte (evento que realizou várias palestras para todos os cursos da Universidade Jorge Amado - Salvador-BA), destacou-se
uma palestra sobre os novos contos de fada sob a ótica de Jung, ou Psicologia
Analítica. Inicialmente, por haver pessoas de outros cursos que não Psicologia,
foi feito pela palestrante, Psicóloga Junguiana professora da Unifacs –
Salvador-BA, um breve resumo sobre os conceitos postulados pelo autor, como
arquétipo e inconsciente coletivo. Depois, fizemos um debate sobre os contos de
fadas originais e como eles davam, principalmente às crianças, base para o
entendimento de sua vida afetiva, principalmente sexual, vivida e entendida de
forma amena e tranquila. Entendemos também que os contos originais eram
contados para adultos principalmente, em meados do séc. XVIII em diante, e que
depois, com influência da Disney e da mídia, voltou-se para o público infantil.
Discutimos também, que os contos originais – e esses reformulados pela Disney
também, embora com mudanças cruciais – trabalham o lúdico da criança de uma
forma indireta, não mostrando claramente o bom o e mau, por exemplo, mas dando
indícios para que o espectador/ouvinte/telespectador façam suas identificações
com os personagens e associações com a sua própria vida. A grande discussão e
talvez a mais pertinente do encontro foi sobre os novos contos de fadas, ou
melhor, as novas roupagens dos contos de fadas, filmes como “Malévola”, “A
garota da capa vermelha”, séries como “Crepúsculo”, “Harry Potter” que trazem novas roupagens dos contos de
fadas para uma linguagem atual, discutindo sobre a objetividade desses
filmes/séries que nos dizem claramente, sem a amenidade dos contos originais, o
que era o bom, o mau, o sexual, não nos permitindo identifica-se com
personagens diferentes, mas nos direcionando. Por exemplo, no conto original e
no da Disney, a má era a madrasta, mas que possibilitaria uma criança ao
assistir, perceber que a sua própria mãe poderia ter momentos de “maldade”, já
no novo conto, “Malévola”, a má é a própria mãe, deixando claro essa relação em
todo o filme. O que poderia de certa forma, desprezar a ludicidade que poderia
ser característica dos contos de fadas. Mas seria essa uma forma de se adaptar
a uma realidade contemporânea onde a “tecnologia” e o consumo fazem parte da
vida das pessoas – e das crianças? As discussões movimentaram-se nesse sentido.
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