sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Anotações: Palestra sobre os novos contos de fadas sob a ótica da Psicologia Analítica



            Na oportunidade de participar do Interculte (evento que realizou várias palestras para todos os cursos da Universidade Jorge Amado - Salvador-BA), destacou-se uma palestra sobre os novos contos de fada sob a ótica de Jung, ou Psicologia Analítica. Inicialmente, por haver pessoas de outros cursos que não Psicologia, foi feito pela palestrante, Psicóloga Junguiana professora da Unifacs – Salvador-BA, um breve resumo sobre os conceitos postulados pelo autor, como arquétipo e inconsciente coletivo. Depois, fizemos um debate sobre os contos de fadas originais e como eles davam, principalmente às crianças, base para o entendimento de sua vida afetiva, principalmente sexual, vivida e entendida de forma amena e tranquila. Entendemos também que os contos originais eram contados para adultos principalmente, em meados do séc. XVIII em diante, e que depois, com influência da Disney e da mídia, voltou-se para o público infantil. Discutimos também, que os contos originais – e esses reformulados pela Disney também, embora com mudanças cruciais – trabalham o lúdico da criança de uma forma indireta, não mostrando claramente o bom o e mau, por exemplo, mas dando indícios para que o espectador/ouvinte/telespectador façam suas identificações com os personagens e associações com a sua própria vida. A grande discussão e talvez a mais pertinente do encontro foi sobre os novos contos de fadas, ou melhor, as novas roupagens dos contos de fadas, filmes como “Malévola”, “A garota da capa vermelha”, séries como “Crepúsculo”, “Harry Potter”  que trazem novas roupagens dos contos de fadas para uma linguagem atual, discutindo sobre a objetividade desses filmes/séries que nos dizem claramente, sem a amenidade dos contos originais, o que era o bom, o mau, o sexual, não nos permitindo identifica-se com personagens diferentes, mas nos direcionando. Por exemplo, no conto original e no da Disney, a má era a madrasta, mas que possibilitaria uma criança ao assistir, perceber que a sua própria mãe poderia ter momentos de “maldade”, já no novo conto, “Malévola”, a má é a própria mãe, deixando claro essa relação em todo o filme. O que poderia de certa forma, desprezar a ludicidade que poderia ser característica dos contos de fadas. Mas seria essa uma forma de se adaptar a uma realidade contemporânea onde a “tecnologia” e o consumo fazem parte da vida das pessoas – e das crianças? As discussões movimentaram-se nesse sentido. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário