quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Vivência subjetiva do tempo

Como cada indivíduo vivencia a experiência do tempo, sua passagem, e suas relações com aspectos particulares da vida de cada um.


 "Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo." Friedrich Nietzsche

 O tempo cronológico é único, segue uma linha direta que não pára, e independente de qualquer fenômeno do mundo, mesmo não sendo percebido por ninguém, ele continua. Por exemplo, o relógio de pulso que temos, mesmo que a gente não fique olhando para ele o tempo todo, ele continua a contar o tempo até que a bateria se esgote, o que não faz o tempo parar.
 Essa característica de o tempo não parar, é tema desde que se começou a contagem do tempo, de ditos populares, músicas, poesias e muitos outros aspectos.
 O que nos interessa nesse momento não é o tempo cronológico, esse tempo que podemos contar, mas sim o tempo subjetivo, a relação do tempo com cada momento da vida dos indivíduos.
 Um dia para quem está em um parque aquático, se divertindo à beça, pode passar muito rápido para o indivíduo, porém para quem trabalha no local limpando as piscinas, por exemplo, e acha um saco ter que trabalhar fazendo aquilo, o mesmo dia pode se tornar quase eterno. O que acontece é que prestar atenção no passar do tempo pode interferir na sua percepção, fazendo com que ache que as horas "voaram" ou passaram demasiadamente devagar.
 Fazendo uma analogia com  frase do filósofo alemão Nietzsche, acima citada, podemos analisar que para quem foi privado de tudo por muito tempo (por exemplo, um prisioneiro que pagou por seus crimes, uma criança que foi privada de diversão fora de casa por seus pais até depois da adolescência) a vivência do tempo nesse novo contexto pode se dar de forma demasiadamente rápida, já que possivelmente irá aproveitar tudo o que antes foi privado de realizar.
  Analisando o contexto religioso, na bíblia encontramos alguns versículos falando sobre o tempo:

  1. Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. (Eclesiastes 3:1)
  2. Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. (2 Pedro 3:8)
 O que se interpreta desses versículos é justamente que para nós, a vivência do tempo é totalmente subjetiva, a passagem do tempo pode ser longa ou curta na percepção de cada um, a depender do contexto em que o mesmo se encontre. 
 O tempo é único e constante, porém cada um vivencia de forma diferente para cada experiência. 
 Na infância, começamos a adquirir a noção de tempo depois de ter noção de antes e depois, ordenação de movimentos para realizar determinadas atividades cotidianas (vestir-se, despir-se, calçar os sapatos). Antes disso, um minuto pode ser entendido como uma hora, e uma hora como um segundo, ou seja, ainda não teríamos noções de tempo e nem uma subjetividade totalmente formada, para saber quem, onde e quando somos/estamos. 



Referências:
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e reeducação num enfoque psicopedagógico. Petrópolis: Vozes, 2002. (Cap.2. Desenvolvimento da psicomotricidade. p. 41-103).
Bíblia sagrada. Eclesiastes cap 3, vers. 1/2 Pedro cap. 3, vers. 8. Nova versão internacional. 





Análise sintomatológica psicanalítica do episódio “Montanha russa” do desenho animado Phineas and Ferb

Introdução
O desenho animado Phineas and Ferb, (na versão brasileira Phineas e Ferb, Delart RJ) chegou ao Brasil em fevereiro de 2008 através do canal de TV Disney Channel. Na versão americana, é uma série de comédia musical animada. Os episódios seguem um enredo padrão, o momento é sempre as férias de verão dos irmãos, que sem nada para fazer às tardes, decidem sempre construir um grande projeto, como uma praia particular em seu quintal, uma montanha russa gigante ou algo parecido e literalmente impossível. A irmã dos meninos, Candace, sempre tenta contar para sua mãe sobre o que eles fazem, mas o que sempre acontece é as coisas voltarem ao normal quando ela presencia, o que irrita muito Candace. O enredo envolve ainda “Perry, o ornitorrinco”, como um agente secreto que luta contra seu inimigo Dr. Heinz Doofenshirtz, um cientista maldoso que sempre tenta, impedido pelo Agente P. (Perry, o ornitorrinco), dominar o mundo através de criações de super máquinas. Os dois enredos acontecem separados, porém simultaneamente e se cruzam ao final para apagar os vestígios de tudo que os irmãos construíram sem a mãe perceber, o que deixa Candace muito frustrada. Analisando os três personagens principais, Phineas, Ferb e Candace, concluo que pelas características sintomatológicas apresentadas em toda a série e no episódio específico “Montanha russa”, que Candace é esquizofrênica, nesta análise, vamos focar na personagem.

Análise sintomatológica na ótica psicanalítica da personagem Candace
Como já mencionado, os episódios seguem um roteiro padrão. O episódio começa com os irmãos planejando o que irão construir naquela tarde.  Logo que a mãe vai ao supermercado, a irmã e personagem principal, Candace, vai avisar aos irmãos que estaria responsável por eles na ausência da mãe. Segundo Pequeno (2002), na esquizofrenia não ocorre a simbolização da ausência da mãe tal como se dá na paranoia. A mãe funciona muitas vezes como bengala imaginária. Quando ela não está presente, ele [o esquizofrênico] se perde. Nessa visão de A. Pequeno, podemos fazer uma analogia com a personagem, pois os momentos em que as crises aparecem mais fortemente é na ausência da mãe, que serve para ela como uma bengala imaginária que lhe dá suporte ajudando a personagem a distinguir, sem sucesso, o que é real e o que é imaginário. O que se percebe nas próximas cenas, é uma preocupação de Candace em fazer com que a mãe coloque os irmãos de castigo por terem feito algo que a irritasse. Como todos os dias das férias eles constroem algo demasiado engenhoso, ela faz o possível para a mãe perceber, porém sempre a cena dos irmãos e a cena de Perry, o ornitorrinco, se cruzam para encobrir tudo. A irmã, esquizofrênica, fantasia as coisas impossíveis que Phineas e Ferb fazem, e também a vida secreta do animal de estimação e é vista pela mãe como louca. 
O tipo de esquizofrenia apresentada pela personagem é hebefrênica, pois foi apresentada na adolescência, e conta ainda com a paranoide, pois vemos as fantasias, alucinações e a dificuldade de distinguir o que é realidade e o que é imaginação, por exemplo, o animal de estimação visto pelos irmãos como disse Phineas no início do episódio “- Ele é um ornitorrinco, não é muito esperto”, é apenas um animal de estimação qualquer. Entretanto a irmã fantasia que o ornitorrinco seja um agente secreto que salva a cidade todos os dias da conspiração de um cientista maldoso que planeja destruir tudo para se sair bem. A personagem também fantasia coisas absurdas feitas pelos irmãos. No episódio “Montanha russa”, ela fantasia que eles constroem sozinhos uma super montanha russa que passa por toda cidade e tem partes que passam desde lava à jatos ao espaço extraterrestre.  Ela apresenta muitos dos sintomas da doença: Sensação de tensão e irritabilidade (principalmente com os irmãos), dificuldade de concentração e pensamentos desordenados (sempre mistura as falas, não para de falar durante as cenas em que aparece), ilusões (como antes apresentado, conspiração contra os irmãos e fantasia com o animal de estimação), comportamentos bizarros (no episódio, observamos o espanto da personagem com a possibilidade de um satélite sair de órbita e cair dentro de sua casa, e logo após ela ri, sair gritando ao meio da rua de bicicleta ao encontro da mãe para contar o que os irmãos estão fazendo, entre outros), ansiedade.
A esquizofrenia é uma doença genética, mas que precisa de um gatilho, ou série de acontecimentos que gerem trauma na vida do indivíduo para se desenvolver. Na ótica psicanalítica, segundo Jardim (2011), o delírio é uma tentativa de cura, uma reconstrução do mundo exterior pela restituição da libido ao objeto ainda que por uma via completamente imaginária, algo que não passa despercebido nos comportamentos do esquizofrênico. Também se pode observar que as instâncias do aparelho psíquico do esquizofrênico agem diferentemente. Os impulsos e pulsões contidos no Id não são totalmente julgados pelo superego, e o que o ego exige do Id é muito mais forte devido às fantasias que o esquizofrênico julga serem verdadeiras. A baixa censura faz com que ele tenha contato direto com o inconsciente, a esquizofrenia está dentro da personalidade psicótica proposta pela teria psicanalítica freudiana.
A esquizofrenia, segundo a psicanálise, também pode ser desencadeada naqueles que tem os genes ligados à doença pela relação com uma mãe superprotetora que também maltrata. A falta de uma das figuras materna/paterna também pode ser um agente que ajudará nesse processo de desencadeamento da patologia, não temos uma figura paterna no desenho, o que podemos analisar como uma construção da criança de uma mãe que faz os dois papeis ao mesmo tempo, e uma falha nesse contexto mais o gene da doença, desencadearia a patologia em si. A personagem do desenho em questão não apresenta desleixo com a aparência e higiene, porém apresenta muito forte a sensação de desconfiança de estarem a provocando (os irmãos arrumando tudo antes que a mãe veja), sensação de que o ambiente esteja estranho e também muita agitação, confusão e agressividade. Também vemos durante o episódio que ela tem uma crença inabalável e alucinações e delírios de que os dois irmãos e o animal de estimação fazem coisas que na realidade são impossíveis. Ela não concorda com qualquer correção da mãe sobre suas alucinações, por exemplo, quando ela vai ao supermercado ao encontro da mãe para contar sobre o que seus irmãos estavam fazendo, a mãe a chama de louca, e ela logo rebate dizendo que não está louca, que o que vê é verdade.
Em algumas pessoas em particular, a patologia causa sintomas cognitivos como problemas com atenção e alguns tipos de memória, porém em alguns casos podem ser difíceis de notar (a depender se o paciente estiver em tratamento), e pode ser que o individuo leve a vida sem sofrer muitas consequências ruins. Na personagem em análise, observamos que ela apresenta alguma dificuldade na atenção simultânea, por exemplo, quando fala ao telefone e não percebe que os irmãos passam por seu lado com coisas absurdas como um leão na jaula e uma grande quantidade de ferramentas para a construção da montanha russa gigante. É interessante notar também que em diversos momentos é perguntado à Phineas, o irmão mais agitado e mais falante, se não é meio impossível que se realize o que ele faz naquele determinado momento. Ele sempre responde: “-Tem gente que acha” ou até concorda com o outro, como quando o vendedor da loja de materiais de construção lhe pergunta: “- Você não é meio novo para ser engenheiro de montanha russa?”, e ele responde “- Sou, pior que sou”. O que analisamos é que a irmã, Candace que é que alucina a maior parte (ou tudo) o que acontece no episódio em questão, tem seus momentos de indagação sobre suas alucinações, que julga serem verdadeiras. É quando surge esse tipo de pergunta, mostrando claramente que por mais que ela não aceite que tudo que alucina seja “mentira” ou algo fora da realidade, é questionável alguns aspectos, como o seu irmão de menos idade que ela mesma, ser um engenheiro de montanha russa.
Não saber distinguir entre a realidade e a fantasia é o sintoma chave da patologia que estamos analisando. Eles realmente estão em período de férias, estão brincando no quintal, a mãe realmente sai e os deixam sozinhos etc. Porém Candace alucina tudo que já foi colocado e acredita fielmente que seja realidade, um aspecto que deve ser colocado é que o esquizofrênico alucina com coisas do seu cotidiano, exatamente como acontece com Candace, já que o desenho gira em torno de sua família, alguns amigos e o animal de estimação dos irmãos.




Conclusão
        Para Candace, o tratamento mais adequado seria de controle dos sintomas, pois não há cura para a doença. Esse tratamento teria que ser com medicamentos controlados, hospitalização durante as crises para sua segurança e dos outros a sua volta, e terapia psicossocial para lhe ajudar a se adequar na sociedade e no meio em que vive. Além disso, é necessário alimentação e sono adequado do paciente, e higienização.
Além de o trabalho ser muito importante na fixação de conteúdo e aprendizagem na disciplina, acredito que tenha aberto os nossos horizontes em relação a teoria psicanalítica e também à análise de sintomas e características de uma personalidade na ótica da teoria. Concluo que o trabalho foi de caráter fundamental no meu processo de formação.

Referências

JARDIM, Luciane Loss. A fragmentação do eu na esquizofrenia e o fenômeno do transitivismo: um caso clínico. Rev. Mal-estar e subjetividade. Fortaleza, vol. 11, n. 1, mar. 2011.
PEQUENO, Angela. Os demônios do gozo: uma contribuição para a psicanálise da esquizofrenia. Ágora. Estudos em teoria psicanalítica. Rio de Janeiro, vol. 5, n. 1, Jan./Jun. 2002.





Este artigo foi um trabalho acadêmico feito pelo autor para a disciplina de Teorias da Personalidade. Sua replicação ou uso é de total responsabilidade do replicador. 


terça-feira, 2 de setembro de 2014

8 coisas que você precisa saber antes de fazer Psicologia

Já decidiu que quer cursar Psicologia? Sim? Ótimo, siga esses conselhos de quem já está cursando pra entrar com o pé direito! Não? Leia e desfaça a visão equivocada que se tem do curso por aí! 

Caio Pedra

#1 - Você será um psicólogo e não um vidente

Já ouvi - e ouço - muita gente dizer que quer ser psicólogo para poder saber o que o outro está pensando, ou para saber o futuro das pessoas. Essa ideia é bastante equivocada e um mito muito comum entre as pessoas que não conhecem a psicologia. O psicólogo fará a escuta do problema do outro para fazer a intervenção correta, portanto não tem como adivinhar o que o paciente não diz. E sobre saber do futuro das pessoas é impossível pois se assim fosse o crescimento da psicologia seria deliberadamente grande nos últimos tempos.


#2 - Não existe somente o psicólogo clínico


Quando se pensa no psicólogo já se imagina um profissional sentado em uma poltrona em uma sala com ar-condicionado e à sua frente um divã onde se deitará o paciente e falará tudo o que vier à mente. Correto? Sim! Mas somente para aqueles que optarem pela área clínica e ainda assim optar pela base teórica da psicanálise, embora o divã propriamente dito esteja em extinção ultimamente. O psicólogo pode atuar em outras diversas áreas, como educação, hospitalar, jurídica, da infância, do esporte, organizacional... Já que o mercado da psicologia clínica se encontra saturado, existe um leque de opções para o estudante hoje. 


#3 - Psicologia dá dinheiro?


Esse quesito eu optei pela interrogação e não afirmação, porquê? Bem, opte por aquilo que você gosta de fazer, ou sente uma identificação com o curso. Se você não gosta de Engenharia Civil, Medicina, Direito ou algum outro curso que te dará um status social, não caia na cilada de fazer só por que dá dinheiro. Imagine acordar todo dia às 6h pra ir pro seu emprego chato e rezar pras horas passarem depressa? Pois é, você tem grandes chances de ser um profissional ruim, sendo assim sua remuneração apenas um alívio para o seu pesar diário. Agora, se você se identifica com a psicologia, faz por amor, para você será prazeroso receber sua remuneração, por menor que seja em comparação com outras profissões, já que sai de casa todo dia para fazer o que gosta. Além de poder atuar em duas (ou mais) áreas ao mesmo tempo. Conheço profissionais que são clínicos, professores, pais ou mães e ainda estudam. Dá pra ganhar uma grana legal.


#4 - Você não fará psicologia com intuito principal de melhorar sua vida ou a vida da sua família/amigos.


Ao fazer psicologia você sempre muda algumas opiniões, quebra tabus, ganha uma visão de mundo diferente, sempre melhora seu convívio com as pessoas ao redor. Mas é eticamente incorreto analisar amigos e familiares mesmo que seja dentro da clínica. É aquele ditado: casa de ferreiro, espeto de pau. Você não fará psicologia com intuito principal de analisar toda sua vida, amigos e familiares e entender o problema deles para intervir. O melhor a se fazer é convencê-los a procurar um psicólogo que não seja você e realizar a análise, coisa mais ética e simples a se fazer.

#5 - Psicólogo não hipnotiza as pessoas/pacientes.


A técnica foi usada por Freud para tratar mulheres histéricas no início do séc. XIX e fora abandonada pelo mesmo, evoluindo para o método da cura pela conversa (catarse) e depois pelo método de associação livre. Hoje a técnica pode até ser usada, mas primeiro não tem apoio ético (pelo código de ética do psicólogo) para ser realizada, sendo seus efeitos de sua total responsabilidade. Segundo o próprio Freud observou sua pouca eficácia já que poucos pacientes eram "hipnotizáveis". Depois, no estado hipnótico o paciente não fica inconsciente, ele apenas entra num estado de sono consciente onde fica suscetível a indução de pensamentos.


#6 - Psicologia é ciência (há controversas).


Embora muitos afirmem (e estudem a respeito), no âmbito acadêmico existe uma discussão a respeito da Psicologia como ciência. O status de ciência da Psicologia foi adquirido quando se desassociou da Filosofia e atraiu novos pesquisadores e estudiosos, que sob os novos padrões de produção de conhecimento (ciência é também um acúmulo de conhecimento), passaram a definir seu objeto de estudo, delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas do conhecimento como a Filosofia e a Fisiologia, formular métodos de estudo desse objeto, etc. Então, não temos muitos argumentos favoráveis a ideia de que Psicologia não seja ciência, embora haja pessoas e ideologias contrárias.   


#7 - Não tem matemática.


Muita gente procura seu curso a partir de critérios como o de não conter disciplinas das ciências exatas, como a temida matemática. Entretanto, temos na maioria dos cursos de graduação, a disciplina de Estatística, onde há cálculos simples que serão indispensáveis para sua atuação profissional. Além de praticamente não ter como se "livrar" dela, pela sua presença insubstituível na maioria dos cursos.


#8 - Há diversas abordagens teóricas, quais você escolherá uma que mais te identifica e aderir.


A forma de ouvir, tratar e curar cada paciente se dá de forma diferente, ate porquê as pessoas são todas diferentes. Por isso e por outros, não teria como termos uma Psicologia padrão, estagnada. Para tanto, existem diversas (centenas) de psicologias, como sugere o nome do blog, psicologias em foco. Dentre elas podemos citar a Psicanálise, formulada e inventada por Sigmund Freud; o Behaviorismo Radical, (ou Comportamentalismo) formulada por B. F. Skinner, como reformulação dos estudos de John B. Watson, Ivan Pavlov, entre outros; a Psicologia da Gestalt, tendo como pesquisadores que marcaram essa abordagem Marx Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Kohler; entre outras diversas. 



ATENÇÃO: Conteúdo baseado na própria experiência do autor. Esse artigo não tem a intensão de confundir as ideias de ninguém, nem influenciar na escolha da futura profissão de ninguém. A replicação e distribuição é de total responsabilidade do replicador, não responsabilizando o autor do artigo. 2014, setembro, Caio Pedra. 




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

COMO O MITO NARRA A ORIGEM DO MUNDO E DE TUDO QUE NELE EXISTE?


Caio Pedra
Mariana Guimarães
INTRODUÇÃO

Este trabalho acadêmico tem a finalidade de demonstrar como o mito explica a origem do mundo e do que ele existe, de forma a despertar no leitor a curiosidade de entender que cada civilização tem uma forma de pensar, que todas tem um fundo de verdade e que todas são válidas. Veremos também como o mito influenciou e influencia o pensamento e que se soma à ciência e à filosofia.


O pensamento mítico é comum a todas as civilizações, podemos encontrar mitos na Grécia antiga, no Egito, na Pérsia, na China, na índia, entre os Hebreus, entre os Esquimós, os Índios norte-americanos e os Tupis-guaranis. Um mito é um relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam sobre forma simbólica as forças da natureza e os aspectos mais gerais da condição humana.  
                          O mito é uma narrativa. É um discurso, uma fala. É uma forma de as sociedades espelharem suas contradições, exprimirem seus paradoxos, dúvidas e inquietações. Pode ser visto como uma possibilidade de se refletir sobre a existência, o cosmos, as situações de “estar no mundo” ou as relações sociais. (ROCHA; Everaldo, 1996, p. 3).
Nos primórdios da humanidade os mitos serviram para estimular as pessoas a agirem de determinado modo. As narrações mitológicas encorajavam os homens à caça, à guerra ou para a preparação de rituais sagrados. 
Chaui (2000, p. 32,33) identifica três maneiras pelas quais o mito explica a origem do mundo e das coisas que há nele: (1) encontrando o pai e mãe dos seres e coisas, isto é, tudo que existe decorre entre relações sexuais entre forças divinas e pessoais; (2) encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. (3) encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente. 
As explicações da origem do universo e da vida são diferentes a cada mitologia de um lugar. No Brasil, a cosmogonia dos Índios se reporta a um criador do céu, da terra e dos animais (o Monã dos tupinambás) e a um criador do mar, Amã Atupane (Tupã), considerado pelos jesuítas o mais próximo da ideia de Deus surgida nos domínios da catequese. Na mitologia Grega, a origem do universo se deu com o surgimento de Gaia (a Terra) e Urano do caos escuro e vazio que era. A partir da relação sexual desses, surgiram os outros planetas e os deuses e deusas do amor e do sexo (Afrodite), por exemplo. Então a origem do mundo e das coisas que existem se deu através dos conflitos e relações sexuais entre estes. 
Mais um exemplo de criação do mundo e das coisas que nele existem através da mitologia, é o Budismo. Nesta não há um deus criador, e a religião não começa no inicio dos tempos, e sim com o despertar de Buda. O universo tal como é simplesmente sempre foi assim “desde o tempo sem início”. O Budismo considera todas as coisas como fenômenos e nenhum fenômeno possui natureza independente, o que explica que todos eles ocorrem somente do relacionamento com outros. 
Atualmente, a cosmogonia pode ser facilmente dividida em duas teorias: Teoria evolucionista, incrementada posteriormente com a pesquisa de Charles Darwin desenvolvendo seu livro “A origem das espécies”, e a Teoria criacionista cristã, baseada na Bíblia sagrada pelo cristianismo e dependente de interpretação pessoal ou de religiões que usam o livro como base para seus princípios. Em relação com a mitologia, podemos observar que a Teoria criacionista tem aspectos irrelevantes de mito. Nela, a terra era sem forma e vazia, e com o comando de um ser superior (Deus), tudo foi surgindo no intervalo de seis dias, como o sol, a lua (dia e noite), a separação entre as águas e a expansão entre elas, a parte seca como terra e o ajuntamento de água como mares, as árvores frutíferas e todas as espécies de animais, e finalmente o homem à sua imagem, e posteriormente a mulher, feita da costela do homem. (BÍBLIA. Gêneses, cap. 1, vers. 1 ao 31). 

CONCLUSÃO

Podemos observar que o mito nos cerca atualmente, e que é fundamental tanto para incrementar as explicações da ciência (e da filosofia), quanto para explicar fenômenos como a origem da vida na terra em suas diferentes versões a depender do momento histórico e contexto da sociedade em que é narrado. 

REFERÊNCIAS

CHAUI, Marilena. (2000). Convite à filosofia. Ática, São Paulo. P. 32-33. 
ROCHA, Everaldo. (1996). O que é mito. Brasiliense. P. 3. 
BÍBLIA SAGRADA. Gêneses, cap. 1, vers. 1-31. Nova versão internacional.  



Artigo feito por Caio Pedra e Mariana Guimarães como avaliação parcial da disciplina de Fundamentos Filosóficos e Epistemológicos da Psicologia, Centro Universitário Jorge Amado, Salvador-Ba, datado de Maio de 2014.  

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Psicologia fora da Universidade

O que muda na vida de quem pratica? 

Caio Pedra

 O curso de psicologia, como todos sabem, é da área das ciências humanas, ou seja, refere-se às ciências que têm o homem como objeto de estudo, ou então o seu foco. Entender o homem, sua mente, seu comportamento e seus aspectos culturais e sociais não é tarefa fácil para os estudantes de psicologia e psicólogos, psicanalistas e até os psiquiatras, principalmente quando além de tudo, ainda se depara com diversas abordagens teóricas que explicam à sua maneira cada um desses aspectos. É um curso onde se tem que formar opiniões, quebrar paradigmas, tabus, preconceitos e aprender a respeitar o próximo, se colocar no lugar do outro, ouvir o outro lado da história. 
 Chega em determinado momento, que você aprende que muitos comportamentos do homem são instintivos, como o comportamento dos animais. Só com essa informação, a sua visão de mundo começa a ganhar um significado e um espaço mais amplo e assim o estudante começa a olhar o outro com mais sensibilidade. 
 Bem, fora da universidade, fazer psicologia é justamente o que já foi colocado, entender o outro, seu comportamento e buscar quebrar um pouco a rotulação e estereótipos que tentam sem sucesso descrever os traços de personalidade de cada pessoa. Realmente, a sociedade é um âmbito que desenvolve rótulos com base em minorias para descrever um todo, e as vezes nós temos determinada ideia na cabeça que não sabemos nem de onde veio, mas precisamos começar a pensar o porquê que toda menina quando nasce ganha várias bonecas e nenhum carrinho. Mas não é porquê as mulheres eram (pelo menos antes do surto do feminismo) responsáveis pela criação dos filhos, e os homens pelo trabalho para o sustento da família? De qualquer forma sim, mas temos que procurar mudar a criação dos filhos para que o estereótipo das tarefas de menino e de menina seja exterminado, e todas as crianças façam o que sonharem fazer, independente do sexo. 
 Psicologia do cotidiano é observar tais fenômenos e começar a pensar a respeito, querer incentivar a mudança, a metamorfose. A psicologia é uma ciência relativamente nova, em construção, que precisa de ainda mais pessoas para seu crescimento e desmistificação. 

REFERENCIAS: Guia das carreiras. Definição de ciências humanas. Disponível em: http://www.guiadacarreira.com.br/artigos/guia-das-profissoes/ciencias-humanas/



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Psicologia e Filosofia

Por que se estudar Filosofia em Psicologia? Qual a importância de alguns filósofos para o entendimento do homem, seu pensamento e seu contexto social em todos os aspectos? 

Caio Pedra

 Geralmente no primeiro semestre do curso encontramos uma disciplina intitulada "Fundamentos Filosóficos e Epistemológicos da Psicologia", apenas "Filosofia", ou dentre outras denominações. Antes mesmo de se sentir plantado no solo psi, temos muitas perguntas sem resposta e é justamente por conta de perguntas sem respostas que a filosofia existe. 
 Como se deu a origem do mundo? Quem somos e porquê estamos aqui? Onde está a mente? (Note que mente e cérebro não são sinônimos)... São apenas algumas das primeiras perguntas-sem-resposta que os filósofos se ocupavam em tentar responder. 
Epistemologia (estudo do conhecimento) não foge muito do conceito de filosofia, sendo uma complementação para o estudo da filosofia geral e base para ter uma visão de todos os antecedentes e uma possível "psicologia" não propriamente dita de séculos passados bem distantes do nosso.  
Nessa disciplina ouve-se muito falar em mito, crenças, ciência x filosofia (mais especificamente filosofia x dialética), fenomenologia, e outras escolas teóricas filosóficas. Muito se discute sobre questões filosóficas atuais também, fazendo um panorama das perguntas mais básicas com respostas diversas que não são satisfatórias para quase ninguém. 
 Na antiguidade, se acreditava que muitas (ou todas) as doenças psicossomáticas (doença orgânica, mas com causa psicológica) se davam por possessões demoníacas, como a epilepsia, esquizofrenia, histeria e outras doenças. Fala-se muito sobre a causa dessas doenças também, dentre outras questões éticas dentro da filosofia geral.
 Para o estudante de psicologia, é fundamental que tenha uma visão ampla de como o pensamento de Descartes, Aristóteles, Sócrates, Foucault, Platão, Hipócrates, dentre outras dezenas de pensadores e filósofos influenciaram para o surgimento da psicologia atual. 
 Um exemplo de pensamento que influenciou não só a psicologia, mas a fisiologia, neurociência, medicina, e outras ciências foi o método cartesiano proposto por René Descartes(1596-1650), que prega que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância", para Descartes, a nossa mente (ou consciência, ou ainda, espírito) e a realidade externa são dois reinos separados e autônomos, nenhum sendo dependente do outro. Embora ele não negue que a mente seja capaz de compreender objetos externos a ela, aquilo de que estamos imediatamente conscientes, para Descartes, não são os objetos externos, mas apenas representações mentais, ou ideias, produzidas pela nossa própria mente. A mente, portanto, tem contato com o mundo externo apenas através de ideias, que são representações mentais dos objetos externos. Alguns Neurologistas, até hoje aceitam essa teoria, enquanto outros não a toleram. Descartes é um dualista, ou melhor, "lançou" o dualismo mente-corpo, o que significa que ele acredita que a mente é algo imaterial, enquanto o corpo é físico e material. Ele separou as duas coisas, ao contrário de Aristóteles, por exemplo, que era um monista (mente e corpo juntos e inseparáveis). Uma frase bem comum de ser lida e muitas vezes mal interpretada do pensador, é: "Cogito, ergo sum." em latim, que quer dizer: "Penso, logo existo". Nela ele expressou que só quem pensava (homens, e homens mesmo, o que não incluía mulheres, crianças e animais) pensavam, então só os mesmos tinham o poder, coisa que na época (séc. XVI) era totalmente aceito e não questionado.  
 Enfim, a disciplina de Filosofia seja ela com qualquer denominação, ou dentro de outras disciplinas, é de suma importância para o entendimento da psicologia atual enquanto ciência. Creio que ensinar filosofia ajuda no fato dos estudantes pensarem e questionarem o que está sendo estudado. A psicologia é um conhecimento científico então acaba sendo diferente da filosofia.
         


Referências: ABREU, Marisa de. Doenças psicossomáticas. Site da Clínica de Psicologia. Disponível em: http://www.marisapsicologa.com.br/doencas-psicossomaticas.html.

MARTINS, Pedro A. Método cartesiano - projeto cartesiano de René Descartes. Pelo site Psicoloucos. 2014. Disponível em: http://www.psicoloucos.com/Rene-Descartes/metodo-cartesiano.html.