sexta-feira, 6 de novembro de 2015

COMPARATIVO ENTRE AS TEORIAS DE SKINNER E PIAGET QUANTO À APRENDIZAGEM


Analisando as duas teorias, podemos perceber que para Piaget o aprendizado é dado por interação entre as estruturas internas e conteúdos externos, já para Skinner, o aprendizado ocorre a partir de interações entre o organismo e o ambiente. O que já nos remete à primeira e crucial diferença entre o behaviorismo e as demais teorias estudadas da aprendizagem, tendo base no materialismo, explicando o comportamento – e a aprendizagem – sem utilizar-se de termos mentalistas (que remetem a estruturas psíquicas ou internas na explicação do comportamento).
            Numa aprendizagem escolar com base na teoria de Piaget, os conteúdos, tendo ele estudado principalmente o raciocínio lógico-matemático que é imprescindível nos primeiros anos das séries iniciais, seriam apresentados para as crianças de acordo com seu estágio do desenvolvimento cognitivo postulado por ele (Piaget), sendo que essa forma de seleção de conteúdo é vigente até hoje em alguns modelos de ensino. Para Skinner, o conteúdo não dependeria primordialmente de uma maturação do sujeito, mas de outros conteúdos anteriormente ensinados. Os conteúdos são apresentados por etapas, aumentando-se o grau de dificuldade de acordo com o aprendizado individual do sujeito, algo que nos mostra uma pequena semelhança entre as abordagens no que diz respeito ao conteúdo ensinado.
            Outra semelhança que se percebe é uma ênfase – ainda que menor em Piaget – ao meio social na aprendizagem, que para Skinner tem peso maior, pois as relações entre os sujeitos (contingências) são cruciais no processo de aquisição de comportamentos, ou aprendizagem.
            Para Piaget, é de grande importância uma boa relação professor-aluno. Os afetos entre as duas partes contribuirá de forma efetiva na aprendizagem, para que os alunos se sintam “valorizados”. Já para Skinner, os afetos não tem importância na aprendizagem, podem até ocorrer, mas não afetam diretamente na aprendizagem, primeiramente porque os indivíduos são mais autônomos quanto à sua aprendizagem, dependendo esse de sua história passada de reforçamento, sendo que para Skinner toda aprendizagem acontece por consequências de comportamentos.
            Piaget considerava que o ambiente escolar e prática pedagógica deveriam se adequar aos interesses dos alunos, com base em seu estágio do desenvolvimento cognitivo. Ficando clara a importância da cognição para a aprendizagem, algo que Skinner desconsiderava enquanto estrutura. O professor teria o papel de apresentar o conteúdo que chega programado por técnicos para que se obtenham resultados favoráveis, em Skinner.

Referências

TAFNER, Malcon. A construção do conhecimento segundo Piaget. Acessado em 02/11/2015. Disponível em <http://www.cerebromente.org.br/n08/mente/construtivismo /construtivismo.htm/>


SILVA, André Luis Silva da. Teoria da Aprendizagem de Piaget. Acessado em 02/11/2015. Disponível em <http://www.infoescola.com/pedagogia/teoria-de-aprendizagem-de-piaget/>

Anotações: Palestra sobre os novos contos de fadas sob a ótica da Psicologia Analítica



            Na oportunidade de participar do Interculte (evento que realizou várias palestras para todos os cursos da Universidade Jorge Amado - Salvador-BA), destacou-se uma palestra sobre os novos contos de fada sob a ótica de Jung, ou Psicologia Analítica. Inicialmente, por haver pessoas de outros cursos que não Psicologia, foi feito pela palestrante, Psicóloga Junguiana professora da Unifacs – Salvador-BA, um breve resumo sobre os conceitos postulados pelo autor, como arquétipo e inconsciente coletivo. Depois, fizemos um debate sobre os contos de fadas originais e como eles davam, principalmente às crianças, base para o entendimento de sua vida afetiva, principalmente sexual, vivida e entendida de forma amena e tranquila. Entendemos também que os contos originais eram contados para adultos principalmente, em meados do séc. XVIII em diante, e que depois, com influência da Disney e da mídia, voltou-se para o público infantil. Discutimos também, que os contos originais – e esses reformulados pela Disney também, embora com mudanças cruciais – trabalham o lúdico da criança de uma forma indireta, não mostrando claramente o bom o e mau, por exemplo, mas dando indícios para que o espectador/ouvinte/telespectador façam suas identificações com os personagens e associações com a sua própria vida. A grande discussão e talvez a mais pertinente do encontro foi sobre os novos contos de fadas, ou melhor, as novas roupagens dos contos de fadas, filmes como “Malévola”, “A garota da capa vermelha”, séries como “Crepúsculo”, “Harry Potter”  que trazem novas roupagens dos contos de fadas para uma linguagem atual, discutindo sobre a objetividade desses filmes/séries que nos dizem claramente, sem a amenidade dos contos originais, o que era o bom, o mau, o sexual, não nos permitindo identifica-se com personagens diferentes, mas nos direcionando. Por exemplo, no conto original e no da Disney, a má era a madrasta, mas que possibilitaria uma criança ao assistir, perceber que a sua própria mãe poderia ter momentos de “maldade”, já no novo conto, “Malévola”, a má é a própria mãe, deixando claro essa relação em todo o filme. O que poderia de certa forma, desprezar a ludicidade que poderia ser característica dos contos de fadas. Mas seria essa uma forma de se adaptar a uma realidade contemporânea onde a “tecnologia” e o consumo fazem parte da vida das pessoas – e das crianças? As discussões movimentaram-se nesse sentido. 

Estudo do Behaviorismo Radical nas faculdades

Ultimamente tenho sofrido vários ataques embrulhados em papel de presente na faculdade. Por gostar bastante da Análise do Comportamento e ter defendido bastante a abordagem em trabalhos e discussões em sala de aula, muitas pessoas tem se voltado a mim quando criticam o suposto "mecanicismo S->R", "experimentos com rato" entre outros. Não gosto muito de me colocar nessa posição de defender uma abordagem em detrimento de outra, primeiro porquê ainda não escolhi uma, depois, e principalmente, porquê não é digno que o faça. Então, eu acho que muitos professores e até os próprios alunos, precisam muito de entender claramente a posição de uma abordagem antes de fazer críticas em sala de aula, onde a imagem do professor é tida como detentor do conhecimento, e que vale muito para as escolhas do alunos. É necessário que seja ressaltado com bastante ênfase uma neutralidade do professor quanto à isso. Quando o behaviorismo radical aparece como a única abordagem que não se desvia para termos mentalistas na explicação do comportamento, ela se torna demasiadamente passível de crítica dessas outras abordagens, que a tratam como uma visão de homem que retira o caráter "humano" no sentido de sensível e munido de superioridade quanto às outras espécies e quanto ao mundo, coisa que as pessoas têm dificuldade de pensar e aceitar - somos a própria natureza!. Bem, diante de tanta hostilidade científica, espero que essa seja uma dificuldade que as faculdade saibam lidar para que haja uma multidisciplinaridade no que diz respeito as teorias, para que os alunos se sintam confortáveis para discriminar qual abordagem mais responde as suas perguntas e que mais se adeque à forma de ver o mundo do sujeito.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Homofobia: Um processo de exclusão social

Introdução
A homofobia consiste em uma aversão, repugnância, medo ou ódio que algumas pessoas ou grupos nutrem contra homossexuais ou a homossexualidade. Advindo tanto do meio social, cultural e religioso esse tipo de preconceito tem acarretado a morte de milhares de pessoas homossexuais no Brasil e no mundo. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, a homofobia, que ainda não é considerada crime no país, provocou pelo menos 216 assassinatos de janeiro até o dia 21 de setembro de 2014. Esse é um número aproximado da estimativa da realidade já que a ausência de informações oficiais sobre uma prática que não é discriminada nos boletins de ocorrência não gera os dados necessários para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) gerarem estatísticas oficiais.
Será abordado no trabalho aspectos da manifestação da homofobia nos dias de hoje, que de acordo com a pesquisa de Poeschl at. all (2012), aparece majoritariamente de uma maneira camuflada na sociedade, principalmente depois da aquisição de direitos civis na união matrimonial estável de casais homossexuais.
Outro ponto de relevante importância a ser mencionado é a variedade de expressões da identidade de gênero e orientação sexual humana. Denominações que vão muito além dos significados abarcados na sigla L.G.B.T. (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).

Desenvolvimento
A sexualidade é algo amplo e múltiplo dentro da sociedade, logo, duas categorias como, homossexuais e heterossexuais, não dariam conta de abarcar todas as expressões da sexualidade no ser humano. Embora exista quem discorde dessa rotulação e categorização, ela é importante para que seja reconhecida todas as formas de identificação afetiva de cada indivíduo. Dentro da categoria de gênero, existe o masculino e o feminino, essa divisão binária é defendida por teóricos adeptos de abordagens apenas biológica, já outros teóricos defendem que masculino e feminino são uma construção social de papeis de gênero.
A partir dessa divisão, surge a identidade de gênero, onde os indivíduos expressam psíquica e socialmente uma gama de formas de se vestir, comportamentos, modo de falar e etc. Conforme essa caracterização cultural convenha com o gênero biológico, configura-se uma pessoa cisgênero (ou apenas cis), caso seja diferente do gênero, o transexual. Não obstante, aparece também a orientação sexual dos indivíduos, que definem com quais indivíduos esse vai se identificar afetivamente, que são o caso da orientações hetero, homo, bi, pan e assexual.
De acordo com Herek (2004), a homofobia pode revelar-se sob várias formas. Por exemplo, o heterossexismo é a manifestação da homofobia nas instituições sociais que, através dos seus discursos e retóricas sobre o género, a tradição ou a moralidade, tentam manter os estatutos tanto do grupo dominante como do grupo desviante, denegrindo qualquer comportamento ou relação não heterossexual.
Embora na atualidade as normas sociais das sociedades ocidentais tornem pouco aceitável a manifestação explícita de atitudes preconceituosas, a expressão aberta do preconceito é socialmente melhor aceita quando este é dirigido à minoria homossexual do que a outros grupos (Schneider, 2004). Por conseguinte, as atitudes negativas para com as pessoas que violam as normas de gênero ainda se traduzem, por vezes, em manifestações de hostilidade exacerbada e de violência verbal e física (LaMar & Kite, 1998).
Poeschl et. all diz que, de forma mais geral, o preconceito sexual manifesta-se na população heterossexual de duas formas (Morrison & Morrison, 2002): O preconceito “clássico”, explícito, tem por base objeções tradicionais e morais que desaprovam a homossexualidade (ex.: a homossexualidade é uma perversão, o comportamento homossexual é errado, os homossexuais são nojentos). O preconceito “moderno”, implícito, manifesta-se de forma mais sutil na oposição à extensão dos direitos civis das pessoas heterossexuais às pessoas homossexuais ou na crença de que a minoria homossexual está ganhar vantagens ou direitos imerecidos (ex.: muitos/as homossexuais usam a sua orientação sexual para obter privilégios especiais; os/as homossexuais tornaram-se demasiado exigentes na sua luta por direitos iguais). Os dois tipos de preconceito podem ser medidos, respectivamente, através da escala ATLG (Attitudes Toward Lesbians and Gay Men, Herek, 1988) e da escala MHS (Modern Homonegativity Scale, Morrison & Morrison, 2002). A investigação
revela que os níveis de preconceito implícito das pessoas heterossexuais são mais elevados do que os seus níveis de preconceito explícito (Morrison & Morrison, 2002), apesar dos dois tipos de preconceito estarem correlacionados (Morrison, Kenny & Harrington, 2005).
Existem, como é óbvio, diferenças interindividuais nos níveis de preconceito sexual que provêm de diversos fatores. Por exemplo, muitos estudos revelam que as mulheres são, em média, mais tolerantes para com a homossexualidade do que os homens e que, na atualidade como no passado, a homossexualidade feminina é melhor aceita do que a homossexualidade masculina (Ellis et. all 2002). Existem, ainda, diferenças na expressão do preconceito que provêm das motivações das pessoas para responder de forma (não) preconceituosa (Plant & Devine, 1998): Algumas pessoas são motivadas a não se mostrar preconceituosas por causa das suas atitudes, crenças e valores pessoais; outras por conformidade às normas atuais de igualdade, independentemente das suas crenças pessoais; outras, ainda, não se preocupam com as normas sociais e não se importam de exprimir abertamente os seus preconceitos. Plant e Devine (1998) verificaram que as motivações internas, mas não as externas, estão correlacionadas com medidas auto relatadas de atitudes preconceituosas, ou seja, quanto mais baixo o nível de preconceito, mais forte a motivação interna para controlar o preconceito.
Além da prática constante de discriminação e homofobia pela sociedade, existe outro grande problema em pauta. A impunidade em que se encontra a pessoa que pratica esse tipo de violência. Carlos Magno Fonseca, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, diz que uma das principais reivindicações é que o governo estimule a produção de dados oficiais sobre violações contra gays, o que seria facilitado pela criminalização da homofobia.
De acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que baseia suas estatísticas em denúncias do Disque 100, foram registradas 337 denúncias relativas à homofobia apenas entre janeiro a abril de 2014, o equivalente a mais de duas por dia. São Paulo é o primeiro disparado, com 97 registros (28% do total), seguido por Minas, com 31 (9%). Em 2013, foram 1.695 denúncias pelo Disque 100, sendo 745 de janeiro a abril. Em 2012, houve um pico de 3.017 denúncias, quase o triplo de 2011, quando foram registradas 1.159 queixas.
Um relatório da secretaria divulgado em 2013 e relativo a 2012 revela que 9.982 violações de direitos humanos foram cometidas contra 4.851 vítimas LGBT. No levantamento anterior, de 2011, foram 6.809 violações contra 1.713 vítimas. Os dados mostram ainda que, em 47,3% dos casos, os denunciantes não conheciam as vítimas. Mais de 71% das vítimas são do sexo masculino e mais de 61% têm de 15 a 29 anos.

**Esse artigo foi produzido pelos alunos: Caio Pedra, Naiara Borges, Tayná Alencar, Roseane Martins e Thais Nascimento, alunos do curso de Psicologia da UJ-BA. O blog não se responsabilizará por replicações, quando essas não manterem as citações e referências. 

Referências
POESCHL, G.; VENÂNCIO, J.; COSTA, D. Consequências da (não) revelação da homossexualidade e preconceito sexual: O ponto de vista das pessoas homossexuais. Edições Colibri, v. 26, n. 1, p. 33–53, 2012.

BARCELAR, C.; GALDO, R.; MIRANDA, M. No Brasil, homofobia matou ao menos 216 em 2014. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/brasil/no-brasil-homofobia-matou-ao-menos-216-em-2014-14087682>. Acesso em: 20 maio. 2015.

HEREK, G. M. Beyond “homophobia”: Thinking about sexual prejudice and stigma in the twenty-first century. Sexual Research and Social Policy, v. 2, n. 1, p. 6-24, 2004.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O mau uso da Psicologia

 Me canso de ver postagens sobre pesquisas estrangeiras (em sua maioria) afirmando algo sobre o comportamento humano ou sobre a mente, sempre é válido, mas talvez isso ajude a sustentar o pensamento vil que os leigos na área têm da Psicologia. De que forma? 
 Hoje vi na página "Curiosos" no facebook uma imagem com a seguinte afirmação: "Homens que postam muitas selfies têm traços de psicopatas." A princípio pensei em quanto me esforço para encontrar em tantos estudos sobre a mente e sobre o comportamento humano uma afirmação como essa. Depois, pensei que seria um investimento narcísico muito grande, talvez uma característica comum entre psicopatas (desde os mais variados níveis de psicopatia). 
 A informação foi retirada de um estudo publicado na revista Galileu. Claro que objetivo da página não é de averiguar quais informações realmente são corretas ou não (pelo menos pelo que vejo) mas apenas divulgar. O que penso é que as pessoas leigas ao ver notícias como essa passam a generalizar a informação e adicionar isso na lista "assuntos escrotos da psicologia" e fortalecer o estereótipo de "loucos, doidos" que nós estudantes de psi temos.  

 Outra coisa que vem me incomodando há um tempo é sobre como alguns advogados vêm usando os psicólogos da área para defender seus clientes. Já li muitos casos em que o advogado conseguiu convencer de que seu cliente teria um "surto" e assim cometido tal infração, com a ajuda do psicólogo responsável. Talvez o que tenha motivado o cliente a cometer tal crime não fosse nem o tal "surto", mas a visão que muitos advogados têm do psicólogo criminal é "uma carta na manga, alguém qualificado em dizer que o cliente está mal das ideias e não pode responder por tal crime". É triste, pois esse fato pode estar deixando impune criminosos que poderiam sim responder por tais atos. 

 Enfim, ficam minhas triviais palavras sobre o mau ou indevido uso da psicologia. Ainda existem muitas áreas e grupos de pessoas ou instituições que fazem o mesmo, mas estou de férias.